21/01/21
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Ala da Lava Jato vai virar hospital para detentos com coronavírus no Paraná

Os detidos da Lava Jato e de outras operações anticorrupção da Polícia Federal no Paraná serão transferidos de ala no Complexo Médico Penal de Pinhais (PR) devido à crise do coronavírus.

Sesp
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O local onde eles estão deverá receber detentos que forem diagnosticados com a doença.

O CMP (Complexo Médico Penal de Pinhais), na região metropolitana de Curitiba, tem hospital e enfermaria e é a referência no estado para tratamento de saúde da população carcerária. Desde 2015, ele abriga os presidiários da Lava Jato –atualmente três permanecem no local.

Em 2019, os detidos por corrupção foram colocados em um espaço onde antes funcionava um hospital do complexo. O local foi adaptado, recebeu colchões e rebatizado como sétima galeria -antes os detentos da Lava Jato estavam na sexta galeria, que foi destinada a detidos comuns por conta da superlotação.

Segundo portaria do Depen (Departamento Penitenciário) do estado, os detentos da Lava Jato agora irão para um espaço no prédio principal do presídio, isolado de outras galerias. O Depen não especificou onde os demais serão alocados.

"A sétima galeria do Complexo Médico Penal fica transferida para ambiente distinto das demais galerias e anexo ao prédio principal com finalidade de custodiar homens cuja segurança em virtude da característica pessoal do detido demande separação da massa carcerária, em especial proveniente de operações relacionadas a lavagem de dinheiro, corrupção e colarinho branco", diz a portaria.

O Depen justifica a medida diante da "necessidade de reativação do hospital penitenciário para atendimento dos detentos que sejam diagnosticados com Covid-19, bem como a necessidade de separação de um espaço exclusivo para evitar a contaminação dos demais detentos".

No ato, o governo diz também que o local não é adequado para o tratamento desses doentes. "O hospital penitenciário não é ambiente adequado para tratamentos médicos que demandem aparelhos e equipamentos essenciais para a manutenção da vida em momentos de crise como a deficiência em atividades cardiorrespiratórias", diz o documento.

Há hoje no Complexo Médico Penal de Pinhais três detidos da Operação Lava Jato: José Antônio de Jesus, ex-gerente da Transpetro, Roberto Gonçalves e Carlos Roberto Martins Barbosa, ambos ex-gerentes da Petrobras.

Na semana passada, alguns condenados da operação conseguiram progredir para regime de prisão domiciliar com tornozeleira, como Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa (estatal rodoviária do governo paulista) e acusado de ser operador de propinas do PSDB.

Permanecem no CMP o ex-prefeito de Araucária, Rui Sérgio Alves de Souza, detido na Operação Fim de Feira, o ex-diretor da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel, alvo da Operação Diários Secretos, além do vereador da cidade de Jussara (PR), Claudemir Ramos, seis advogados, um médico e um hacker.

O Hospital Penitenciário do Complexo Médico Penal ficou fechado durante dois anos para uma reforma, que começou em 2017. Apesar da conclusão das obras, que custaram R$ 630 mil, ele não reabriu porque não foram comprados novos equipamentos. Ele então foi adaptado para servir de cela para os detidos do colarinho branco.

Hoje, o Complexo Médico Penal abriga, além dos detentos por corrupção, também detentos em tratamento psiquiátrico, doentes em geral e policiais e agentes de segurança flagrados em crimes e que correm risco se tiverem contato com a população carcerária.

Por causa da pandemia de coronavírus, o Depen adotou medidas como a suspensão por 15 dias das visitas aos detidos, da entrada de sacolas ou de pessoas que não são servidores do Departamento Penitenciário e dos atendimentos de advogados.

Para não paralisar totalmente a assistência jurídica do detento, foi implementada a videoconferência, mesma situação adotada para audiências de custódia e instrução. Também foi aberto o parlatório virtual, onde os advogados podem agendar consultas on-line.

Transferências e escoltas de detidos custodiados nas penitenciárias e cadeias públicas do estado também estão em suspensão por 15 dias.
Katna Baran e Wálter Nunes - Folhapress
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