Há um horizonte de transformação que move os passos de quem vive no distrito de Pirapó, no município de Apucarana. Um dos poucos pólos cafeeiros que resistiram à metamorfose agrícola dos últimos 50 anos no Norte do Estado, a comunidade rural está preparando uma festa para celebrar uma certificação do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial)que vai gerar muito mais que um selo de procedência, uma logomarca que faz alusão aos três rios fundamentais para a riqueza local - o Pirapó, o Tibagi e o Ivaí - na forma de um grão de café, cercado por um fio ondulado que remete ao vento constante que sopra forte nas partes altas e as estradas que serpenteiam a crista dos vales.
A confirmação de que o café da Serra de Apucarana passa a ser protegido por uma DO (Denominação de Origem) abre novas perspectivas socioambientais e econômicas, que afastam as sombras da estagnação e do esquecimento de uma comunidade. No caso dos cafeicultores de Pirapó, os planos são cristalinos como uma nascente intocada: fortalecer a associação que existe há 20 anos e que congrega menos de 20% dos 250 produtores do município, colocar o café especial como um personagem de destaque nas festas religiosas (do padroeiro do distrito, Santo Antônio de Pádua, em junho, e a de Nossa Senhora Aparecida, em outubro), integrar o município na Rota do Café, consolidar uma agenda de eventos no museu que ocupa a antiga estação ferroviária do distrito e multiplicar a torrefação doméstica através do acesso a linhas de financiamento para a compra de maquinários.
Carlos César Bovo, presidente da Acap (Associação de Cafeicultores de Apucarana), conta que serão distribuídas cartilhas para todos os cafeicultores. O objetivo é que as orientações contidas no caderno sejam um guia para que eles façam adequações necessárias no manejo do café e também nas áreas de secagem. “A associação vai ficar responsável por fiscalizar todas as etapas de produção e vamos contar com orientação de especialistas”, explica.
A transformação que se desenha em Pirapó já ocorreu em muitas áreas do Estado e do País. A busca pelas certificações e o impacto delas é um dos capítulos mais marcantes da agricultura brasileira no século XXI. Tudo começou em 1996, com a aprovação da Lei de Propriedade Industrial, na qual a proteção das indicações geográficas se tornou expressamente prevista, iniciando uma corrida por reconhecimento que já é realidade em 163 pontos do País, 121 deles na modalidade de indicações de procedência e 42 em denominação de origem, que é o caso da Serra de Apucarana.
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