A fotógrafa londrinense Ana Paula Cardoso, de 29 anos, morreu por afogamento após sofrer uma queda no Salto das Orquídeas, em Sapopema (Norte). A informação foi confirmada nesta quarta-feira (5) pelo chefe da Polícia Científica na região de Londrina, Luciano Bucharles.
Segundo ele, o exame constatou que Ana Paula sofreu uma fratura na clavícula direita durante a queda de cerca de 45 metros de altura, mas a lesão, isoladamente, não seria suficiente para causar a morte. "O laudo apontou essa fratura, que muito possivelmente decorreu da queda, que foi muito alta. Mas essa fratura não justifica o óbito", explicou.
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De acordo com Bucharles, o exame interno identificou os sinais característicos de morte por asfixia mecânica por afogamento. Ele ressaltou que a perícia não consegue determinar exatamente o que aconteceu entre a queda e o afogamento. Segundo o chefe da Polícia Científica, não é possível afirmar, por exemplo, se a vítima perdeu a consciência, ficou presa em algum obstáculo ou teve dificuldade para nadar.
"Não dá para saber se ela desmaiou, se ficou enroscada em alguma coisa ou se não sabia nadar. Essas são dúvidas que o exame de necropsia não consegue responder."
Horário da morte
O chefe da Polícia Científica também explicou que não foi possível estabelecer com precisão quanto tempo Ana Paula permaneceu viva após o acidente ou definir o horário exato da morte apenas pelos exames periciais.
Segundo ele, fatores como temperatura da água, temperatura ambiente, tempo de submersão e as características físicas da vítima interferem diretamente na estimativa.
Apesar disso, Bucharles afirma que, diante da conclusão de que a morte ocorreu por afogamento, a hipótese mais provável é que o óbito tenha acontecido poucos minutos após a queda.
"Como ela morreu afogada, e não por hipotermia ou outra causa, a situação mais plausível é que ela caiu na água e morreu cinco ou dez minutos depois. Os achados médico-legais, porém, não permitem afirmar isso com precisão."
O acidente
O acidente ocorreu na tarde de 25 de julho, quando Ana Paula e a amiga Ana Carolyne da Silva Camilo atravessavam um trecho do rio utilizando cordas para iniciar uma trilha no Salto das Orquídeas.
Segundo o relato de Ana Carolyne, a correnteza estava na altura do quadril quando Ana Paula escorregou. Ela voltou para tentar ajudá-la, mas também perdeu o equilíbrio e foi arrastada pela água, conseguindo sobreviver após passar toda a noite sobre uma pedra.
Internada no Hospital Evangélico de Londrina, Ana Carolyne criticou a falta de orientações no local. Em vídeo enviado à imprensa, afirmou que nunca recebeu qualquer informação sobre a necessidade de fazer a trilha acompanhada por guia, mesmo após já ter visitado o Salto das Orquídeas outras vezes.
Ela também disse que, antes da viagem, entrou em contato com os responsáveis pelo camping e recebeu a informação de que o acesso às cachoeiras estava liberado. Segundo a sobrevivente, ela e a amiga preencheram documentos na entrada, mas não foram orientadas sobre qualquer restrição para descer até as trilhas ou sobre a necessidade de avisar a administração antes do percurso.
Investigação
Procurada, a Polícia Civil disse que segue as investigações para esclarecer a morte. De acordo com a nota, as equipes de investigação analisaram o resultado da perícia dos aparelhos digitais de Ana Paula e passam agora a extrair os dados dos aparelhos da amiga, Ana Carolyne. A Polícia Civil também aguarda a conclusão do exame toxicológico pela Polícia Científica.
A reportagem tentou contato com a empresa Salto das Orquídeas para saber se o local continua funcionando após o acidente, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. Nas redes sociais, no entanto, permanece fixada uma mensagem de que o espaço está fechado por tempo indeterminado.
A Prefeitura de Sapopema também foi procurada e confirmou que o Salto das Orquídeas permanece temporariamente fechado para visitação. A decisão, segundo a nota, foi tomada para fazer uma reavaliação completa das medidas de segurança existentes no local, "analisando tudo o que pode ser aprimorado para oferecer ainda mais segurança aos visitantes". O Salto das Orquídeas se encontra com todas as documentações em dia e com o Cadastur (Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos) ativo.
Além disso, a Prefeitura de Sapopema, por meio da Secretaria de Turismo, disse estar promovendo uma revisão das condições de segurança dos atrativos turísticos do município. "Nos próximos dias, iremos receber representantes do Corpo de Bombeiros, que irão realizar visitas técnicas às cachoeiras e demais atrativos naturais, avaliando as estruturas, as sinalizações e os procedimentos de segurança atualmente adotados. E caso sejam identificadas oportunidades de melhoria, as orientações técnicas serão seguidas, e, quando necessário, novas medidas poderão ser implementadas. Nosso compromisso é trabalhar continuamente para fortalecer a segurança dos nossos atrativos", complementou a Administração Municipal na nota.