O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) abriu na terça-feira (18) uma investigação sobre ameaças que repórteres do jornal Gazeta do Povo teriam sofrido na tarde de segunda-feira (17). As ameaças surgiram depois da publicação de reportagem sobre suposto uso indevido de viaturas da Polícia Civil por policiais.
Segundo o procurador Leonir Batisti, coordenador do Gaeco, o grupo recebeu as denúncias do jornal e que dão conta de quatro telefonemas feitos: três para o jornal e uma para a RPCTV.
De todas as ligações, em três delas as pessoas alertavam para possíveis ataques contra os jornalistas e em uma haveria uma ameaça real de ataque ao proprietário do veículo de comunicação. "Em duas delas, as pessoas não se identificaram e falaram que se sentiam preocupadas com a possibilidade de ataques. Em outra uma pessoa que se identificou para o jornal também se disse preocupada e que a reportagem ‘não pegou bem’ dentro da Polícia Civil. Na quarta ligação, havia uma ameaça de sequestro contra o proprietário do jornal", explica Batisti.
Ainda segundo o procurador, o conteúdo de um dos telefonemas dizia que um carro viria do Rio de Janeiro para cometer um atentado. Os telefonemas, de acordo com Batisti, foram feitos de telefones públicos e os trabalhos serão feitos para identificar quem são as pessoas envolvidas.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em nota, disse que um dos repórteres que participou da reportagem terá que deixar o país por causa das ameaças. "Tentar calar um repórter é atentar contra o direito de saber de toda a sociedade", diz a nota. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijorpr), também em nota, disse que considera "inadmissível todo tipo de ameaça ao exercício da profissão, pois ao tentar calar a voz da imprensa, tira-se o direito da sociedade à informação".
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) informou que toma as providências para apurar o caso e que a Assessoria Civil da Sesp acompanha as denúncias. (atualizado às 18h54)