Paraná

Horizonte positivo para o turismo online na AL

28 mar 2001 às 17:51

A eMarketer, empresa de pesquisa com sede nos Estados Unidos, publicou uma nova análise sobre o mercado de turismo online na América Latina, com base nos dados fornecidos pela Jupiter Communications. De acordo com esse trabalho, apesar da América Latina ter a menor participação desse gênero de negócio no mundo, existe um grande potencial para as empresas que estão se posicionando para lucrar a longo prazo.

Segundo Noah Elkin, analista senior da eMarketer, é evidente que o comércio eletrônico na América Latina é bem mais fraco que o norte-americano. Essa situação se justifica, no lado latino, pelo baixo número de usuários - que tem aumentado nos últimos anos -; pela pequena penetração de PCs e cartões de crédito; pelo alto custo de acesso à Internet e pela baixa renda média dessas populações.


De acordo com a análise, o mercado de viagens online na América Latina não está limitado apenas pelo restrito número de usuários que têm renda mais elevada, com acesso à Internet e condições para viajar de férias ou a negócios. Essas pessoas representam apenas entre 15% e 20% da população na maior parte dos países da região. Há outras limitações como: línguas e culturas diversas, moedas e falta de confiança em relação a esse gênero de compra.


Claro crescimento
Apesar dessas dificuldades, a Jupiter Media Metrix projeta que até 2005 o mercado de turismo online na América Latina atingirá a marca dos 1,4 bilhões de dólares. A mesma análise aponta o Brasil como o maior mercado para esse tipo de turismo na região, com 50% do setor.


Em toda a região, o número de usuários que está comprando produtos de viagens online parece estar aumentando. No México, de acordo com a empresa de pesquisa Greenfield Online, mais de 29% dos usuários de Internet já compraram pela rede um produto relacionado com turismo. Já na Argentina, dos 45% de usuários de Internet que visitaram sites de viagem, apenas 8% compraram produtos online, de acordo com um estudo da D"Alessio/Harris. Mas esse número tende a aumentar, já que o estudo mais recente é do ano passado.


"Acredito que o mercado de comércio online em geral na América Latina tem crescido de forma bem agressiva", avalia Mauricio Salgar, do site Despegar.com, um dos maiores de viagens online em operação na América Latina. Segundo ele, os analistas observam o que acontece no mesmo mercado nos Estados Unidos, ajustam os números de acordo com as características e problemas particulares à América Latina, e divulgam resultados que podem parecer agressivos demais inicialmente, mas que são realizáveis a longo prazo.


Já de acordo com Enrique Felgueres, principal executivo e fundador do site Viajo.com, outro dos líderes no setor na América Latina, "nossas projeções estão alinhadas às da Jupiter e realmente acreditamos no potencial da região". Para ele, desde o primeiro dia, o Viajo.com vem sabendo equilibrar as operações off-line com as vendas online, a partir de uma estratégia definida como "click or call". Ou seja: os usuários podem visitar, se informar e comprar no site, que é objetivo final, ou ligar para a empresa e ser atendido por funcionários da agência. "É preciso encarar a realidade de que não será de um dia para o outro que o mercado vai mudar", avalia.


Estratégias próprias
A realidade mostra também que os sites parecem estar cientes de uma realidade particular na região: para driblar os obstáculos encontrados na América Latina, é preciso ter uma estratégia que respeite o crecimento orgânico do setor, além de investimentos voltados para o consumidor e o desenvolvimento da marca.


"Acho que o crecimento pode ser alcançado ao longo dos próximos anos", afirma Maurício Salgar, do Despegar.com. No seu entender, parte da estratégia da sua empresa sempre foi de estabelecer uma forte presença off-line, por meio de alianças com agências tradicionais e desenvolvimento de um forte serviço ao consumidor, para eliminar desconfianças em relação a esse tipo de negócio.


A empresa anunciou recentemente o fechamento de uma segunda rodada de investimentos de 10,3 milhões de dólares, liderada pelo Yahoo! e o grupo europeu de meios de comunicação Sonae. Segundo Sagar, o site de viagem também está investindo no desenvolvimento de sua marca na região por meio de alianças com a Starmedia e a Carson Wagonlit, uma das maiores agências de viagens tradicionais do mundo.


Já o Viajo.com nomeou como novo CEO, David Fisher, executivo com mais de 20 anos de experiência no setor de viagens tradicional, que se concentrará nas operações internas da empresa. "Nosso intuito é construir a melhor e mais experiente equipe de profissionais", afirma Enrique Felgueres.


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