O cachorro Marrom, atropelado no início do mês enquanto descansava em uma rua de Arapongas, segue se recuperando da cirurgia e está em busca de uma nova casa, recheada de amor e brincadeiras. O caramelo de aproximadamente oito anos é conhecido por ser amoroso e companheiro.
Fundadora e voluntária da Opaa (Organização de Proteção Animal de Arapongas), a vereadora Meiry Farias (PDT) explica que ele está se recuperando muito bem da cirurgia, mas que aguarda o resultado de exames médicos que podem indicar alguma infecção, como a doença do carrapato. Ele está no canil gerenciado pela Opaa na companhia de outros 180 animais que aguardam um lar.
Marrom é um cachorro comunitário que vivia na Rua Cisne Negro, em Arapongas, desde filhote. Ele foi atropelado por um carro no dia 3 de fevereiro enquanto descansava próximo a uma sarjeta. Imagens captadas por uma câmera de segurança mostram quando o cachorro estava deitado e um veículo Up branco vira a esquina.
O carro segue em direção reta na via mas, quando se aproxima de Marrom, faz uma pequena manobra para a direita, atingindo o animal. O motorista seguiu sem prestar socorro, enquanto Marrom se levanta, aparentando dor na pata atingida, e outro cachorro late atrás do carro.
O suspeito se apresentou à polícia dias depois, segundo a investigadora da Polícia Civil de Arapongas, Bianca Mendonça Dal-Cól, e, como esperado, disse que não viu o animal e não parou porque não ouviu os latidos de dor. Ela também ressaltou que o homem disse que “passa sempre de lado nas lombadas”. A investigadora disse que o caso foi enviado ao Judiciário.
Meiry Farias explica que, por ter passado a vida toda nas ruas, Marrom tem dificuldades em permanecer em uma local cercado. Para tentar amenizar a situação, os voluntários buscaram a irmã de Marrom, que vivia com ele na rua, e levaram até o canil, porém, por também não ser acostumada, ela fugiu e foi levada de volta para a Rua Cisne Negro, onde é cuidada pelos moradores.
Assim como Marrom, dezenas de outros cachorros aguardam no canil da Organização de Proteção Animal de Arapongas a chance de viver uma vida de muito amor e carinho com seus tutores. Farias explica que existe uma dificuldade muito grande em conseguir lares para cachorros adultos, ainda mais para aqueles que não são de raça definida. Alguns, segundo ela, vivem há mais de uma década no canil.
O mesmo vale para animais que perderam alguma das patas. A vereadora conta que dois cachorros que têm apenas três patas passaram por diversas tentativas de adoção ao longo do tempo, mas apenas um foi adotado por uma família.
Assim como outros cães que viveram grande parte da vida nas ruas, ela afirma que o Marrom pode se adaptar à vida em um lar, sendo necessário que o tutor apenas tenha paciência para permitir que ele se acostume à nova rotina. “A pessoa tem que amar porque aí ela vai querer cuidar”, afirma, lamentando os vários casos em que os tutores devolvem os animais adotados com a justificativa da falta de adaptação.
Muito amoroso, Marrom sempre se aproxima para pedir por um carinho. “Ele é muito querido”, afirma. Segundo ela, o cão se dá muito bem com outros animais.
A Opaa organiza três vezes por mês, no primeiro, no segundo e no último sábado, uma feira de adoção dos animais abrigados no canil. A ação acontece das 10h às 13h30 em frente à Igreja Matriz de Arapongas. Para quem deseja visitar o canil para conhecer os cães, a vereadora afirma que o contato pode ser feito diretamente com ela, pelo telefone 99911-5671 (WhatsApp), para agendar um horário. As visitas acontecem das 10h às 16h.