Moradores de Mauá da Serra (Vale do Ivaí) protestaram contra a iminente operação da nova praça de cobrança na BR-376 nesta quarta-feira (18), por ter sido instalada em um trecho que “divide a cidade ao meio”, segundo o prefeito Givanildo Lopes (União). A tecnologia escolhida pela concessionária PRVias foi o sistema de pedágio eletrônico free flow, pórtico com câmeras e sensores que faz a cobrança realizada sem que o motorista precise parar. O funcionamento está previsto para começar ainda no primeiro semestre, sendo que o valor da tarifa será definido pelo poder concedente, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
Depredação e interdição
O prefeito convocou uma manifestação pacífica nas margens da rodovia para a manhã desta quarta, que foi remanejada para a praça central do município “para evitar transtornos”, após o recebimento de um interdito proibitório. Por meio de um vídeo, Lopes informou que foi denunciado para a Polícia Federal e que “a concessionária (PRVias) me processou pela situação do ato, mesmo sendo pacífico”. “A gente está em um país que não pode nem reclamar, tem que apanhar e ficar quieto, muitas vezes”, completou.
Segundo ele, o documento pontua que a força de segurança recebeu uma denúncia anônima de que haveria depredação durante o ato e interdição da rodovia, garantindo que “da minha parte, nunca falei isso e nunca deixaria acontecer”. Disse ainda que houve previsão de multa de R$ 5 mil por hora em caso de bloqueio da via.
Na praça, participantes assinaram um abaixo-assinado contra o início da operação do pedágio, que será levado à representantes da Alep (Assembleia Legislativa do Estado do Paraná) e ANTT em uma reunião marcada para a próxima semana. Lopes ressaltou que a instalação foi aprovada em 2021, antes de assumir a gestão municipal.
Cobrança de tarifa em dois pontos
A assessoria da PRVias informou que não irá se manifestar sobre o ato, acrescentando que os pórticos de pedágio com fluxo livre (free flow) na BR-376 e PR-445, respectivamente Mauá da Serra e Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), devem entrar em funcionamento ainda no primeiro semestre do ano, “após a entrega das atividades denominadas trabalhos iniciais, que consideram melhorias da infraestrutura e da prestação dos serviços operacionais nos 12 primeiros meses do contrato”. Neste trabalho, está incluso a instalação das câmeras e dos sensores.
Como os motoristas não irão parar nas praças, a cobrança da tarifa será feita via TAG ou leitura da placa do veículo. Nesta última modalidade, devem pagar por aplicativo ou site, normalmente com prazo de 30 dias. A ANTT ainda não divulgou os valores que serão cobrados nos dois pontos.
"Barreira econômica"
Autoridades de Mauá da Serra e moradores vêm demonstrando insatisfação com a novidade há meses, com o prefeito publicando diversos vídeos em uma rede social comentando os possíveis danos financeiros que o pedágio causará a quem depende da BR-376 para trabalhar, acessar hospitais e realizar outras atividades essenciais.
Em um dos ofícios protocolados neste âmbito em maio do ano passado, direcionado à ANTT, a Prefeitura solicitou que o pórtico fosse instalado no km 301 da mesma rodovia, visto que a implantação no km 289 traria “sérios prejuízos à mobilidade da população, especialmente aos moradores da Serra do Cadeado, região com alto índice de vulnerabilidade social e forte dependência dos serviços públicos e comerciais situados na zona urbana”. Argumentou ainda que a localização criaria uma barreira econômica, “dividindo o município e comprometendo o direito de ir e vir de inúmeros cidadãos”.
Caso a alteração de local não fosse possível, solicitou a adoção de uma política de isenção tarifária para os moradores de Mauá da Serra, “a fim de minimizar os prejuízos à população local”.
Insatisfação em outros locais da RML
Agricultores de Jataizinho planejam um protesto para este sábado (21), a partir das 8h, na praça de pedágio local, objetivando a participação de pelo menos mil pessoas. Com serviço prestado pela concessionária EPR Paraná, está prevista a implantação de uma praça com o sistema free flow no município, assim como em Arapongas, Mandaguari, Presidente Castelo Branco, Cianorte, Umuarama, Francisco Alves, Jussara e Guairaçá ao longo dos próximos anos.
Já em Rolândia, o DER/PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná) retirou a proposta de instalação da tecnologia sem cancelas no perímetro urbano do município, após pressão social e revolta de moradores. O prefeito Ailton Maistro (PL) se disse satisfeito pela suspensão, considerando que o local escolhido inicialmente pela EPR Paraná seria prejudicial aos moradores e à economia da cidade. O pórtico ficará em Arapongas, também na RML, onde já havia uma antiga praça de pedágio.