A Parada da Diversidade LGBT 2012 reuniu neste domingo (30) mais de 100 mil pessoas na Avenida Cândido de Abreu, no bairro Centro Cívico, em Curitiba, segundo a organização do evento.
A concentração começou às 13h, na Praça 19 de Dezembro, conhecida como Praça do Homem Nu. A partir das 15h, carros de som com os dizeres "Seus direitos, nossos direitos, direitos humanos – Por um Paraná livre do racismo, machismo e homofobia", tema deste ano, acompanharam a multidão até o Palácio Iguaçu. O evento terminou por volta das 21h.
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Durante esse período, a rua Paula Gomes permaneceu fechada a partir da esquina com a Mateus Leme. A Cândido de Abreu também teve bloqueios na praça 19 de Dezembro, na Heitor Stockler de França, na Comendador Fontana, na Lysimaco Ferreira da Costa e na Santiago de Oliveira.
Participantes - O estudante de enfermagem Pélicles Nunes, de 21 anos, que participou do evento pela segunda vez, disse que a parada é muito mais do que uma festa. "Muita gente não tem consciência da luta e acha que isso aqui é apenas uma atração. Mas é muito mais. Estamos aqui para defender os direitos dos homossexuais", afirmou o jovem. Solteiro, ele participou da parada ao lado do amigo Ivandro Santos, de 20 anos. Os dois carregavam uma faixa com os dizeres "Estado laico – mais tolerância, menos machismo, mais educação, menos violência, mais respeito e menos homofobia".
Já a paraense Bárbara Bueno, que há dez anos vive em Curitiba, participa da parada todos os anos. Bárbara atua como coordenadora de projetos no Transgrupo Marcela Prado, cujo objetivo é promover a cidadania e a auto-afirmação de transexuais e travestis. Segundo ela, mais do que uma festa, o evento é um momento de conscientização. "A diferença de tratamento na sociedade ainda é grande. As pessoas não aprenderam que homofobia é crime", disse.
Para o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dálio Zippin, apesar dos avanços, o Brasil, de forma geral, e o Paraná, especificamente, ainda têm muito o que melhorar no que diz respeito ao combate à homofobia. "Eu acho que avançamos muito, mas ainda não é o ideal. A parada é importante para demonstrar a existência do preconceito, que ainda é grande", afirmou.
Viés político - O tema de 2012 foi escolhido com base nas demandas do movimento internacional LGBT. O mote, no entanto, foi utilizado também para conscientizar os participantes sobre a importância de, nas eleições municipais do dia 7 de outubro, votar em candidatos comprometidos com a causa.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, os paranaenses não podem mais permitir homofobia nas Câmaras e prefeituras. "Dia 7 de outubro votem em candidatos que respeitem os direitos humanos", pediu.
Segundo Reis, desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que legalizou a união estável entre casais do mesmo sexo, as pessoas estão entendendo mais o discurso do movimento LGBT. "O pessoal está se conscientizando de que a gente quer a igualdade de direitos e não a destruição da família", completou.
Coordenadora de DST/Aids de Curitiba entre 2003 e 2010, a dentista Mariana Thomaz falou em seu discurso durante a abertura sobre a importância social desse tipo de evento. "Não adianta falar bonito. Temos que lutar pela criminalização da homofobia e pelo direito à diversidade".
Violência - De acordo com o último Relatório sobre Violências Homofóbicas no Brasil, publicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em julho de 2012, o Paraná registrou 419 violações contra gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis em 2011. As notificações incluem casos de discriminação, negligência, violência física e sexual.
O Estado possui uma taxa de 4,06 denúncias efetuadas ao poder público a cada 100 mil habitantes, média maior do que a nacional, de 3,46.
Para a vice-presidente do Transgrupo Marcela Prado, Samantha Wolkan, já passou da hora das pessoas se manifestarem contra esse tipo de crime. "Estamos aqui brigando pela justiça, para que isso pare de acontecer. Sinto que estou com um revólver na cabeça, e que cedo ou tarde alguém ainda vai querer me matar", desabafou.
As funcionárias públicas Maísa Tereza Manzi e Maria Verônica Mees, que em agosto oficializaram o primeiro casamento civil entre mulheres de Curitiba, também lembraram da importância de conscientizar a sociedade. "Precisamos acabar com a violência e a homofobia. As pessoas precisam parar de matar os travestis, as trans. Cada um tem o direito de viver como bem entende", disse Verônica. (Atualizada nesta segunda-feira)