Paraná

Paraná lidera ranking de trabalho escravo no Sul do Brasil

24 jun 2017 às 10:19

Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel fez saber a todos os súditos do Império que a partir daquela data estava declarada extinta a Lei da Escravidão no Brasil. Dados recentes do MPT (Ministério Público do Trabalho), no entanto, mostram que, quase 130 anos após a abolição da escravatura, o conteúdo da Lei Áurea é mais um que parece funcionar apenas no papel, ou neste caso, no pergaminho de couro com detalhes em ouro conservado no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

Segundo o MPT, entre 1995 - quando o governo brasileiro reconheceu a existência do trabalho escravo no País - e 2015, mais de 50 mil pessoas foram resgatadas em condições análogas à escravidão em território nacional. O número corresponde a quase 10% do total de 700 mil escravos existentes em 1888 em um país com então 15 milhões de habitantes. Como forma de monitorar melhor os dados e responsabilizar os culpados, o MPT inaugurou em maio o Observatório Digital do Trabalho Escravo, uma ferramenta on-line com todos os casos registrados no Brasil desde 2003, ano de lançamento do 1º Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo.


De acordo com a plataforma, nos últimos 14 anos, 43.428 pessoas foram resgatadas em situação análoga à escravidão no País. Quatro Estados concentram quase metade desses trabalhadores. O Pará aparece na liderança, com 9.853 casos, seguido pelo Mato Grosso (4.302), Goiás (3.716) e Minas Gerais (3.333). Nenhum Estado do Sul do País aparece entre as 10 primeiras posições do ranking, mas, segundo o procurador do MPT em Londrina, Heiler Natali, se engana quem acha que a região é território livre do trabalho escravo. "Muita gente ainda pensa que o trabalho escravo é restrito ao Norte do País, por exemplo, porque lá tem uma incidência maior de casos, mas a situação aqui também é preocupante", alerta.


O Paraná é o 11º Estado com mais trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão. Foram 1.157 desde 2003. Só no último ano, funcionários dos órgãos de fiscalização retiraram 16 pessoas desta condição. O recorde registrado foi em 2012, quando 259 trabalhadores foram resgatados em seis cidades paranaenses. Na média, os dados significam que uma pessoa é resgatada a cada cinco dias no Estado. Santa Catarina é o 13º do ranking, com 860 casos, e o Rio Grande do Sul está em 20º, com 321 resgates. O trabalho no campo concentra cerca de 70% dos casos, mas, segundo o MPT, as irregularidades nos grandes centros tiveram grande crescimento na última década.

Leia reportagem completa no site da Folha de Londrina.


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