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Violência de gênero

Paraná vê queda de feminicídios, mas segue entre os 5 mais violentos

Douglas Kuspiosz - Grupo Folha
21 jan 2026 às 15:04

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Foto: Soldado Priscila Carvalho
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O número de feminicídios caiu 20% no Paraná em 2025, passando de 109 para 87 casos de mulheres mortas em razão da condição de gênero. O estado vinha de uma trajetória de crescimento nesse tipo de crime, já que em 2023 haviam sido registradas 81 mortes.


Apesar da redução, o Paraná segue entre os estados com maior número de feminicídios no país, atrás apenas de São Paulo (233), Minas Gerais (139), Rio de Janeiro (104) e Bahia (103). Também lidera as estatísticas na região Sul, à frente do Rio Grande do Sul (80) e de Santa Catarina (52).

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Os dados constam no relatório do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública), atualizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta quarta-feira (21).


No cenário nacional, contudo, os números seguem em alta e atingiram um recorde histórico. O Brasil contabilizou 1.470 feminicídios em 2025, ante 1.464 em 2024, o que representa uma média de quatro mulheres mortas por dia. A tendência é de que esse total ainda aumente, já que o Sinesp não recebeu os dados referentes ao mês de dezembro dos estados de São Paulo e da Paraíba.


Desde a tipificação do feminicídio, que em 2015 passou a ser uma qualificadora do crime de homicídio, o aumento no número de registros é de quase 175%, saltando de 535 para 1.470 ocorrências. Em 2024, uma nova legislação transformou o feminicídio em crime autônomo, com pena que pode chegar a 40 anos de prisão.


PROBLEMA ESTRUTURAL


Para a presidente do Néias - Observatório de Feminicídios de Londrina, Martha Ramírez-Gálvez, o avanço da legislação na última década demonstra uma preocupação do Legislativo com o tema e reforça que se trata de um problema de política pública. “Não é um problema de marido e mulher, é um problema estrutural”, afirma. Ela avalia ainda que houve maior conscientização social e um “refinamento” das estatísticas, embora a subnotificação e a correta tipificação do crime continuem sendo desafios.


“Além disso, há todo um aspecto do Judiciário que precisa ser aprimorado, com uma perspectiva de gênero. Algumas instâncias, como o Supremo Tribunal Federal e o próprio Ministério Público, têm essa consciência, mas isso precisa chegar à formação dos jovens advogados, para que não reproduzam discursos conservadores”, reforça Ramírez-Gálvez. Ela defende que o país avance em políticas públicas capazes de responder à complexidade do problema.


DESAFIO CONTINUA


Em Londrina, os casos de feminicídio seguem sendo uma realidade. O primeiro registro de 2026 ocorreu no dia 11 de janeiro, quando Roseli Machado Clementino, de 32 anos, foi encontrada morta no banheiro de casa, na zona leste da cidade. O companheiro de Roseli, Luciano Borges Vieira, de 42 anos, alegou inicialmente que a mulher teria sofrido uma overdose, mas familiares relataram uma rotina de agressões e ameaças.


O homem foi preso e o caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio.


"Este caso evidencia, mais uma vez, um dos aspectos mais perversos da violência de gênero: mesmo quando os riscos são identificáveis e as ameaças são explícitas, muitas mulheres não conseguem encontrar saídas efetivas. O medo, a dependência econômica, o isolamento, a descrença na proteção institucional e a insuficiência das redes de apoio aprisionam mulheres em um ciclo de violência que se intensifica até o desfecho letal", disse o Néias sobre a morte de Roseli.

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(Reportagem atualizada às 18h desta quarta)

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