Paraná

PMs são filmados abordando militantes em Ibiporã e Apucarana após vitória de Lula

26 out 2026 às 14:52

Vídeos obtidos pela reportagem mostram ações violentas de equipes da PM (Polícia Militar) contra militantes durante comemorações da vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre a noite deste domingo (25) e a madrugada desta segunda-feira (26). Os episódios foram registrados na Avenida Santos Dumont, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), e na Praça Ruy Barbosa, no centro de Apucarana (Centro-Norte). As imagens mostram agentes utilizando spray de pimenta, disparando tiros de munição de borracha e imobilizando manifestantes no chão. Em Apucarana, guardas municipais também participaram da ação.


Em Apucarana, a confusão teve início no momento em que a população começava a se dispersar. O fiscal de vigilância sanitária Fernando Augusto Pereira, 40 anos, relata que registrava a ação truculenta dos agentes quando acabou atingido por um disparo à queima-roupa. VEJA O VÍDEO DO MOMENTO NO FIM DA REPORTAGEM.


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"O combinado com a polícia era terminar as comemorações às 23h, se ganhasse Lula ou Bolsonaro. Nós ganhamos e esperamos um pouco, porque vimos um pessoal agredindo os outros que estavam ali. Festejamos por cerca de 1 hora e os nossos líderes políticos falaram para nós irmos embora. A galera começou a dispersar", explicou Fernando ao Portal Bonde nesta segunda.


"Quando a galera já estava começando a ir embora, a gente viu a correria e os policiais jogando a menina no chão. Fui filmando com a minha mão direita, enquanto a esquerda estava para cima, como se estivesse rendido. Chegou um policial para cima de mim, me empurrando e falando para não empurrá-lo, mas foi ele quem me empurrou. Ele me deu um tiro com bala de borracha e machucou a minha perna", relatou o fiscal da vigilância sanitária, que acrescentou ter tentado acalmar crianças que presenciaram a cena. "Viraram seis ou sete policiais em cima de uma mulher. Isso é inadmissível!"



Agressões, spray no rosto e prisão


A artista e educadora social Alícia Gomes, 28 anos, também foi agredida e acabou levada à delegacia junto com os irmãos. Segundo ela, o desentendimento começou quando o irmão foi abordado violentamente pelos agentes após uma manifestação verbal em Apucarana.


"Todo mundo já estava se mobilizando para ir embora. Algumas pessoas estavam indo para a Praça 28 de Janeiro. Meu irmão me perguntou se eu queria ir e respondi que estava em paz e que queria ir para casa. Quando estava a caminho do carro, os policiais deram ordem para o meu irmão parar. Ele colocou a mão na cabeça e eles o jogaram no chão, falando que o meu irmão tinha os chamado de milicianos, mas essa palavra não foi dirigida a eles, mas sim ao Flávio Bolsonaro", esclareceu Alícia.


"Bateram no meu irmão e eu fui perguntar o porquê. Eles também começaram a me bater e eu saí correndo, momento em que vieram atrás de mim, rasgaram o meu vestido e me jogaram no chão. O meu braço está todo roxo", completou a educadora social. Registros em vídeo confirmam o momento em que a jovem, já imobilizada e algemada no chão por policiais, tem o rosto atingido com jatos de spray de pimenta disparados por um agente.


A vítima informou que busca providências legais e institucionais com o apoio do PT na região. "Estamos nos articulando junto ao partido aqui em Apucarana para cassar esses policiais e para nós sermos absolvidos nesse caso, porque não os desacatamos. Resistimos porque não entendemos o motivo da prisão", destacou.


Em Ibiporã, um PM foi flagrado batendo em um motociclista com um cassetete na avenida Santos Dumont. A reportagem tentou encontrar pessoas envolvidas na confusão no município, mas não obteve sucesso. 



PM justifica intervenções


Procurada pela reportagem, a PM encaminhou nota oficial informando que atuou nas manifestações com o objetivo de "garantir o livre exercício do direito de manifestação, preservar a ordem pública e assegurar a segurança da população".


Segundo a PM, quando ocorrem excessos ou condutas ilícitas, os agentes fazem a pronta intervenção utilizando equipamentos de menor potencial ofensivo previstos em protocolo. A nota também informou que, além dos casos em Apucarana e Ibiporã, houve registros em Guarapuava e outras cidades do Estado com encaminhamentos por desacato, posse de drogas, desobediência e lesão corporal, cabendo às autoridades competentes a análise e eventual responsabilização dos envolvidos.


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