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Polícia apura caso de injúria e homofobia em estação-tubo

Mariana Franco Ramos – Equipe Folha
23 jul 2015 às 22:18

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A Polícia Civil do Paraná apura um caso de injúria e homofobia cometido contra um casal gay na estação-tubo Antero de Quental, no bairro Portão, em Curitiba. Na última terça-feira, por volta de 11h30, o estudante de Ciências Sociais Alexandre Plautz Lisboa, 20, e o bailarino e professor Leonardo Camargo Soares da Cruz, 27, esperavam o ônibus no local, quando teriam sido agredidos verbalmente pelo cobrador, ainda não identificado. Os jovens registraram boletim de ocorrência no 8º Distrito Policial (DP) da Capital. "Estávamos abraçados e havia algumas pessoas já dentro do tubo, que fica perto da minha casa. O cobrador, que vejo de vez em quando neste horário, olhou para nós e disse: 'pô, aqui não, né? Vamos parar com essa pouca vergonha e respeitar as pessoas'", contou Lisboa.

Como Cruz tinha um compromisso, acabou pagando a passagem e entrando no coletivo, enquanto o estudante permaneceu do lado de fora. "Eu fiquei sozinho com o cara, pedi o nome dele, porque o crachá estava para dentro da blusa, disse que ia ligar para a polícia e também para a Urbs (autarquia responsável pelo transporte coletivo da cidade). Ele se recusou a falar e então simplesmente pegou um pau de dentro da estação; veio para cima de mim e começou a me ameaçar. Fiquei em choque, mas recuei e fui embora", relatou. Os namorados disseram que resolveram dar publicidade ao caso para evitar que situações assim continuem acontecendo.

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"Nós somos militantes. Lutamos por igualdade e cidadania. Acreditamos que não dá para sofrer esse tipo de coisa e ficar calado", opinou Cruz. "Muitos amigos sofrem violência e não correm atrás. A gente consegue viver a nossa afetividade dentro de casa. Mas grande parte da população LGBT (formada por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) acaba frequentando guetos, porque não é aceita. Curitiba é uma das cidades mais violentas para LGBTs", completou Lisboa.


O delegado Guilherme Luiz Dias, do 8º DP, contou que nos próximos dias deve ouvir as vítimas, para dar início às investigações. Ele também já teria requisitado à Guarda Municipal e à Urbs as imagens das câmeras de segurança, com o objetivo de localizar o suspeito. "Ainda não se sabe quem foi. Fizemos uma solicitação por ofício, mas como não é caso de prisão em flagrante, embora nos salte aos olhos, demora um pouco mais. A gente tem um prazo de dez dias para encerrar", afirmou. Também procurada pela reportagem, a Urbs informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que notificou a empresa responsável, para que ela tome providências em relação ao ocorrido. Dependendo do retorno, a entidade pode instaurar um processo administrativo.

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Denúncias
O casal também comunicou a violência que sofreu ao Disque 100, serviço mantido pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República. Conforme balanço divulgado pela pasta no início desta semana, 532 denúncias registradas no primeiro semestre de 2015 são relativas a LGBTs, sendo que 62 delas ocorreram no Paraná. Os dados mostram alta incidência de discriminação (77,10%) e violência psicológica (69,54%), seguidos de violência física (30,27%) e negligência (8,05%). A central de atendimento funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive sábados, domingos e feriados. A ligação é gratuita, podendo ser realizada de qualquer terminal telefônico, e atende todo o território nacional. As solicitações são examinadas e posteriormente encaminhadas aos órgãos estaduais ou municipais correspondentes.


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