Começou nesta segunda-feira (14) o julgamento de quatro policiais militares acusados de espancarem e matarem uma travesti em Curitiba no ano 2000. O caso é julgado na 1ª Vara do Tribunal do Juri da capital, com a presença da juíza Michele Pacheco Cyntia e acompanhado pelo promotor do Ministério Público (MP) Marcelo Bauser.
A travesti Kérica (Henrique Souza Lima) foi morta há 13 anos, após se desentender com um cliente, que reclamou sobre a situação com policiais militares. Quatro PMs teriam agredido Kérica, que não resistiu ao espancamento.
O julgamento teve início por volta das 9h desta segunda-feira e no início da noite ainda não havia resultado. Não há horário definido para o término do julgamento.
O caso é acompanhado pelo Grupo Elitytrans Londrina. A presidente do grupo, Melissa Campos, acredita na culpabilidade dos acusados e critica a forma como a violência de gênero contra homossexuais, transexuais e travestis é tratada pela Justiça e pela sociedade. "É um crime visível, mas não é reconhecido".
Para ela, isso ocorre porque casos como o da travesti Kérica não são reconhecidos como violência. "A sociedade considera (a transformação do travesti) anormal e acha normal a violência e a exclusão social que eles passam. As travestis ficam expostas a essa violência constantemente. Eu chamo isso de homofobia institucional".