Após uma semana de intensa mobilização popular nas ruas de Curitiba, movimentos sociais utilizaram a segunda-feira (24) para organizar as próximas passeatas e manifestações na cidade. Uma nova mobilização popular já está marcada para o próximo sábado (29) e os organizadores reuniram diversos pontos para cobrar dos governantes.
As reivindicações reúnem diversos temas, mas a questão da tarifa de ônibus ainda encabeça a lista. Mesmo com a queda de R$ 2,85 para R$ 2,70, autorizada pelo prefeito Gustavo Fruet na última quinta-feira (20), os organizadores ainda reivindicam o retorno do valor para R$ 2,60, mesmo preço pago até março de 2013. Questões mais específicas, como reforma agrária e desmilitarização da polícia, também constam na lista.
O novo protesto e as novas pautas foram decididos após uma plenária realizada na sede da APP Sindicato, que reuniu membros de cerca de 70 entidades e aproximadamente 400 pessoas. Membro do Sindicato dos Bancários de Curitiba e integrante da organização do evento, André Castelo Branco Machado fala da necessidade de organização do movimento popular.
"A gente costuma dizer que quem não sabe para onde vai qualquer caminho serve. Então o importante não é ter uma liderança, mas ter uma direção", explica, sobre a realização da plenária.
Ele afirma que as manifestações das últimas semanas mostraram "um descontentamento muito grande" com os governos federal, estadual e municipal, mas não havia uma pauta concreta. "A plenária serviu para que os movimentos pudessem contribuir para a continuidade das manifestações e propor reivindicações".
Machado acredita que, nas próximas manifestações, os temas que abrangem os anseios populares tendem a ficar mais segmentados, mas ainda haverá concentração em algumas pautas, principalmente o transporte público, reforma política e dívida pública.
No Facebook, o novo protesto está marcado para começar às 10 horas de sábado, com concentração na Boca Maldita. Até a tarde desta terça-feira (25), o evento já contava com cerca de 1,5 mil pessoas confirmadas.
Confira a lista de reivindicações:
- Redução da tarifa para R$2,60 e R$1,00 no domingo. Abertura imediata da caixa-preta do transporte (URBS e empresas)
- Reforma política ampla e democrática
- Desmilitarização e reforma da Polícia pelo fim da violência
- Novo Marco Regulatório das Comunicações.
- Pelo fim dos pedágios
- Redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas
- Retirada do projeto de lei que libera as terceirizações no país (PL 4330)
- Auditoria da dívida pública, verbas para saúde, educação e demais direitos sociais
- Reforma agrária
- Contra o desvio de dinheiro público para a Copa
- Ampla liberdade política, sexual e religiosa