Presos da Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG) protagonizaram a mais longa das 21 rebeliões ocorridas este ano no Paraná. Foram mais de 46 horas de negociação entre ameaças de morte e constantes agressões a agentes feitos reféns. Ao final, 28 presos foram transferidos.
A reportagem do Bonde teve acesso a um trecho do áudio das negociações entre presos e a Polícia Militar, que mostra a tensão na Penitenciária.
Os presos demonstraram irritação pelo fato de um helicóptero estar sobrevoando a PIG. Em dois momentos, os detentos afirmam que quem conduz o motim é o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que age nos presídios do estado de São Paulo.
"Quem tá tumultuando seu serviço é esses caras. Ninguém tá brincando irmão. Vai morrer gente nessa p*** aí. Pode por essa b**** onde vocês quiserem, mas tira de cima da cadeia. Quem vai responder o senhor já sabe né? O estado tá em alerta. Aqui é o Primeiro Comando da Capital (PCC). Veja só a c****** que o senhor vai fazer se não tirar essa b**** aí de cima".
Durante a conversa, o preso cita a rebelião na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), ocorrida em agosto deste ano, quando cinco pessoas morreram (algumas decapitadas) e 25 ficaram feridas. "O senhor tira a PEC lá de exemplo, o senhor que escolhe".
Em outro trecho, os presos que atuavam na negociação voltaram a citar o PCC, dando a entender que a facção estaria organizada em todo o estado. "Não vou segurar mais nada. Você sabe que a condução é com os caras lá de São Paulo, Curitiba. Quem tá na condução é o Primeiro Comando da Capital. O barato tá acionado no estado inteiro, rua e nos presídios. Vamos continuar da forma que a gente tá na negociação, sem brincadeira, sem gracinha", afirma um dos presos, ameaçando na sequência que, caso o helicóptero não deixasse a redondeza da PIG, haveria mortes. "Juro pra você que vou por uma cabeça lá naquele para-raio lá. Prometo".