Produtores de Morretes, no Litoral do Estado, pretendem processar a Petrobras pelo vazamento de 50 mil litros de óleo diesel, ocorrido no último dia 16, na Serra do Mar. As 120 famílias de agricultores que moram próximo ao Rio Sagrado, contaminado pelo combustível, estudam uma maneira de compensação pelos danos provocados pelo óleo. Desde que houve o vazamento, eles estão impedidos de pescar ou usar a água do rio para irrigar suas plantações.
Em reunião na última segunda-feira, na Associação dos Produtores Rurais do Rio Sagrado, 100 agricultores se posicionaram favoráveis à indenização. Agora, eles pretendem obter ajuda da Prefeitura de Morretes para encampar a briga contra a estatal. "O rio é nossa vida. Se a proibição continuar, por causa da poluição por óleo, vai matar a gente", disse o produtor Denilson Fiorese. "É preciso encontrar uma saída para não deixar essas famílias na mão", afirmou o vereador Airton Tomazi (PFL), que apóia os agricultores.
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"Ninguém sabe quais são os efeitos futuros que o vazamento vai causar nos rios afetados e nas terras contaminadas por óleo diesel", disse Lídia Lucaski, presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), que participou da reunião. O medo da ambientalista é que, por necessidade, os produtores passem a utilizar a água dos rios contaminados (do Meio, Sagrado, dos Neves e Nhundiaquara) antes do tempo. "Não existem placas nos rios proibindo o consumo e a irrigação", disse.
O temor da ambientalista não é infundado. Ontem, o produtor Alcione Soares estava transformando em farinha parte da mandioca colhida próximo ao Rio Sagrado. Essa área, onde Soares planta hortaliças e maracujá, foi inundada por óleo dias depois do vazamento, quando uma cheia contaminou o solo com combustível. "A Petrobras indenizou apenas o dono de uma plantação de milho com a presença evidente de diesel. Mas como ficam as terras onde a água transbordou com combustível e penetrou na terra?", questionou Tomazi.
"Eu planto chuchu e dependo da água do rio, mas a Petrobras não me disse como vai abastecer a plantação com água limpa", disse Marcos Fiorese. Por hora, a vazão para irrigar os pés de chuchus é de 100 mil litros. Outro problema levantado pelo agricultor é se o cheiro de combustível não vai afastar insetos polinizadores, como a mamangava. "Falta maior explicação pela Petrobras", queixou-se Denilson Fiorese.
Os produtores da localidade do rio Sagrado temem também que a região fique estigmatizada pelo vazamento. Quando aconteceu o surto de cólera no litoral, os agricultores tiveram seus produtos desvalorizados e, até, recusados, quando tentaram vender nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) de Curitiba.
A Folha procurou a assessoria de imprensa da Transpetro (subsidiária da Petrobras responsável pelo duto) no fim da tarde para que se posicionasse sobre o assunto, mas não encontrou os assessores pelos celulares.
A falta de documentos que comprovem a segurança do local impediu que a pesca e a prática de esporte na Baía de Antonina e Rio Nhundiaquara, áreas atingidas pelo vazamento de óleo da Petrobras no último dia 16, sejam liberadas. A previsão do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) era liberar as regiões atingidas ontem, mas, segundo o órgão, ainda não foi possível determinar se a água ainda tem resíduos de óleo que podem prejudicar a população.
O superintendente do Ibama no Paraná Luiz Nunes Melo explicou que relatórios finais do impacto do acidente na área ainda estão sendo avaliados. Ainda assim, adiantou que a prática de esportes no local deve ser liberada antes da pesca. "Estamos coletando amostras da fauna e da flora para avaliar os danos", informou.
O acidente aconteceu no último dia 16, quando um poliduto que liga a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, ao terminal portuário em Paranaguá rompeu, causando o vazamento de 50 mil litros de óleo. O óleo atingiu a área terrestre na Serra do Mar e as margens dos rios do Meio, Sagrado, das Neves e Nhundiaquara, além da Baía de Antonina. A limpeza do local foi concluída no último dia 23, mas técnicos do Instituto Ambiental do Paraná e do Ibama ainda permanecem no local para avaliar os danos na flora e fauna. Até ontem, a morte de mais de 100 quilos de peixe já tinha sido registrada.
Este foi o sexto vazamento de óleo envolvendo a Petrobras no Paraná em dois anos e resultou em multa de R$ 150 milhões, aplicada pelo Instituto Ambiental do Paraná. A empresa tem até o próximo dia 11 para recorrer da multa e já informou que vai entrar com recurso no prazo estipulado.
Segundo a empresa, funcionários estão se mobilizando para garantir a segurança da população atingida pelo vazamento. Informou ainda, que até ontem havia distribuído 386 cestas de alimento para a população ribeirinha, 32 cestas na Ilha de Teixeira e 54 caixas d`água de mil litros em toda a região.