O trânsito na BR-376, em Mauá da Serra, ficou bloqueado durante a manhã e boa parte da tarde desta terça-feira (12). Pelo menos 400 pessoas ligadas ao Movimento Sem Terra e outras organizações sociais do campo ocuparam os dois sentidos da rodovia. A BR-376 é o principal ponto de ligação entre Londrina e o norte do Estado com Curitiba e região dos Campos Gerais.
A CCR RodoNorte, concessionária que administra o trecho, informou que a manifestação foi realizada próximo à ligação com a PR-445. Ambulâncias e serviços de emergência foram autorizados a seguir, enquanto o restante dos veículos precisou encarar a fila.
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No período da tarde, os manifestantes passaram a liberar o trânsito dos veículos por determinado tempo com intuito de diminuir o congestionamento. Após o pequeno período, eles voltam a fechar a pista dos dois lados.
As pistas foram completamente liberadas por volta das 16h. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os manifestantes abandonaram o local assim que souberam do avanço da pauta em Brasília (confira as reivindicações abaixo).
A PRF também registrou que outros dois trechos bloqueados nesta terça no Estado. Os movimentos sociais ocuparam o quilômetro 584 da BR-277, no Trevo Cataratas, na região de Cascavel, e o quilômetro 114 da BR-116, no Contorno Leste, na região de Curitiba. Os manifestantes queimaram pneus para fechar as rodovias.
Por volta das 15h30, os manifestantes da BR-277 liberaram o tráfego no Trevo Cataratas, em Cascavel, e cerca de uma hora depois na praça de pedágio de Candói.
O MST confirmou que os protestos marcados para hoje e amanhã devem atingir oito importantes ligações rodoviárias paranaenses. O objetivo principal é reivindicar ações concretas do poder público, chamando atenção da sociedade civil da importância de políticas estruturantes de consolidação e fortalecimento da agricultura familiar e camponesa, a Reforma Agrária e a agroecologia.
Confira a íntegra da nota publicada pelo Movimento Sem Terra:
"Organizações e movimentos sociais do campo e da cidade realizam nesta terça (12) e quarta-feira (13) mobilizações em oito rodovias do Paraná.
O objetivo principal é reivindicar ações concretas do poder público, chamando atenção da sociedade civil da importância de políticas estruturantes de consolidação e fortalecimento da agricultura familiar e camponesa, a Reforma Agrária e a agroecologia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2014 como o "Ano Internacional da Agricultura Familiar", e reconheceu a contribuição da Agricultura Familiar e Camponesa para a segurança alimentar, nutricional e para erradicação da pobreza no mundo. Somente no Brasil, o setor é responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos pela população.
No entanto, há muito para se fazer, segundo os movimentos sociais do campo. Apesar de existirem várias ações públicas de apoio ao setor, houve poucos avanços. Nesse contexto, os trabalhadores do campo e da cidade buscam o reconhecimento e a valorização desta categoria e apresentam pautas de reivindicação, entre elas nas áreas da habitação, do crédito, da agroindustrialização, da assistência técnica e extensão rural, da matriz energética e da melhoria na qualidade da educação.
Os trabalhadores também cobram o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que tem por objetivo promover o acesso à alimentação e incentivar a agricultura familiar. Os alimentos adquiridos pelo programa são destinados à formação de estoques estratégicos ou ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social.
Dados de 2007, do governo do Paraná, mostram que no estado 3.016 entidades foram beneficiadas pelo programa, 5.774 agricultores e mais de 844 mil pessoas, chegando a R$ 10,9 milhões.
Na modalidade de Compra Direta com Doação Simultânea, 311 municípios do Paraná, firmaram termo de adesão ao PAA. Nesta modalidade, os governos compram alimentos produzidos por agricultores familiares e os repassam a hospitais públicos, creches, lar de idosos e outras instituições da rede socioassistencial.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), de 2014, nos últimos três anos, o PAA adquiriu produtos de 14,7 mil agricultores paranaenses. Estes alimentos foram distribuídos, a cada ano, a quase 3,5 mil entidades no estado.
Os movimentos sociais e organizações do campo e da cidade cobram ainda a construção de um processo de desenvolvimento sustentável, que responda aos desafios da humanidade, fazendo-se necessária a Reforma Política no país, como alicerce da mudança da sociedade."
(matéria atualizada às 19h20)