Paraná

Réveillon 'a seco': Guaratuba entra em 2026 com crise de abastecimento

01 jan 2026 às 15:50

A celebração da virada de ano em Guaratuba, um dos destinos mais procurados do litoral paranaense, foi marcada pela falta de água que já dura há dias, segundo moradores e turistas. Apesar da expectativa de ter recebido cerca de 500 mil pessoas no Réveillon, a infraestrutura de saneamento da cidade voltou a colapsar, deixando milhares de torneiras secas em bairros como Coroados, Brejatuba, Cohapar e Piçarras.


Oficialmente, a crise teve início na última segunda-feira (29), após o rompimento de uma adutora de grande porte. Entretanto, quem está na cidade afirma que o problema começou cerca de uma semana antes. É o que diz a jornalista Caroline Augusta de Andrade, 38, que saiu de Curitiba para passar as férias com outras seis pessoas no Litoral e está em Guaratuba desde 23 de dezembro.


"Todos os dias, desde que nós chegamos, está faltando água por algum período. Ontem [31 de dezembro], por exemplo, nós ficamos sem água das 2h da tarde até umas 8h da noite, mais ou menos. Daí a água voltou. Hoje [1º de janeiro], a água foi cortada agora há pouco de novo, perto das 2h da tarde", relata.


Sem água para banho


Segundo a jornalista, os problemas dela e da família foram atenuados por serem sócios de um clube local. Somente por causa disso, garante ela, eles conseguiram tomar banho todos os dias sem mais intercorrências.


"Nossa sorte é que somos associados de um clube aqui, porque vimos bastante para cá. Lá tem vestiário, por isso conseguimos tomar banho. Mas cozinhar em casa, lavar roupa, essas coisas, já não dá. Inclusive, até para a parte básica é difícil, como dar descarga."


Quando não pode sair de casa, Andrade usa a água da chuva para suprir outras necessidades básicas. "Usamos o velho e bom truque de pôr um balde debaixo da calha quando chove, para pegar a água e poder aproveitar para outras coisas. Tem sido um transtorno para muita gente, ainda mais para quem não tem essa chance de tomar banho em outro lugar, né?", desabafa.


Voltou mais cedo para casa


Assim como Andrade, Lucas Gabriel Marins, 37, também passou pela mesma situação. Ele deixou Guaratuba e voltou para Curitiba por causa do desabastecimento.


"Cheguei lá dia 17, antes do Natal, e a ideia era ficar até terça-feira da semana que vem. Porém, como faltou água, a gente decidiu voltar antes", diz, explicando que tudo estava normal até o Natal. 


"Um dia sem água ainda dá para aguentar. Dois a gente começa a ficar mais nervoso. No terceiro já é impossível. Tive que pegar água da chuva para tomar banho de caneca", expõe. Ele estava numa casa no Litoral com outras três pessoas.


Reclamações


Nas redes sociais, internautas reclamam que bairros inteiros passaram a virada sem uma gota d'água, impossibilitando tarefas básicas como banho e preparo de alimentos. O vídeo de uma família que aproveitava a chuva para se banhar durante a "seca" viralizou.


É o terceiro ano consecutivo que o problema se repete na cidade. Outras crises graves de abastecimento por rompimento de adutora e falhas na rede de abastecimento em Guaratuba e Matinhos foram registrados no réveillon de 2024, 2025 e agora em 2026.


Gestão de pressão


Procurada pela reportagem, a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) informou que nesta quinta-feira (1º) segue com a estratégia de gestão de pressão no sistema de distribuição de água em Matinhos, Pontal e Guaratuba. 


"Esse procedimento consiste em aumentar ou reduzir os níveis de pressão conforme a dinâmica do perfil de consumo ao longo do dia, com isso foi possível atingir o objetivo de recuperar os níveis dos reservatórios. Assim, nesta manhã, a distribuição está sendo realizada normalmente com a capacidade máxima de bombeamento nos três municípios", divulgou a Sanepar, em um trecho da nota.


Ainda de acordo com a nota, em pontos em que é necessário um reforço da pressão para o transporte da água, a Companhia está injetando no sistema um volume extra com as reservas dos contêineres modulares e caminhões pipa.


Apesar de ter normalizado os serviços na região, a Sanepar informou que, caso seja necessário, pode fazer novas reduções temporárias na pressão da rede de distribuição.

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