O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Pepe Richa, voltou a reafirmar a posição já dada pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER) em relação à construção do viaduto da PR-445 com a avenida Dez de Dezembro, em Londrina. Em entrevista coletiva concedida na manhã de hoje, durante vistoria in loco, o gestor da pasta descartou qualquer risco de desabamento.
"Além do laudo da construtora, o DER contratou uma consultoria, que realizou levantamentos não só neste viaduto, mas em várias obras e descartou qualquer risco. É compreensível que as pessoas que moram na região fiquem preocupadas, pois as imagens chocam. Mas as soluções foram implantadas", disse.
O plano de monitoramento, solicitado pela Justiça, já está sendo elaborado e providenciado, ainda segundo ele. O documento deveria ser entregue ontem ao Ministério Público (MP), conforme decidiu o juiz Osvaldo Taque em sentença nesta semana.
Questionado sobre as mudanças em relação à obra executada e ao projeto licitado, Pepe Richa afirmou que foram "adaptações necessárias solicitadas pelos próprios moradores". "Houve uma conversa com pessoas e comerciantes do entorno e o entendimento de que era preciso fazê-las. Quando se trata de uma obra urbana é complicado, não é uma rodovia comum. A cidade é um organismo vivo. Existem outros fatores que interferem e agravam a situação, como as chuvas, que foram muito fortes".
As alterações foram apontadas pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL), em ofício enviado à Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, da Saúde Pública, da Saúde do Trabalhador e da Habitação Urbanismo. O documento embasa o pedido de providências do Ministério Público à Justiça.
Conforme a entidade, as estruturas de contenção descritas na licitação não correspondem as que estão sendo executadas, sendo estas de qualidade inferior ao originalmente previsto. "Em tal projeto são previstas contenções em solo reforçado, com manta geotêxtil, com parâmetro em placas de concreto. Ao contrário, nas obras atuais estão sendo executados muros de gravidade", diz o ofício assinado pelo presidente da entidade, José Fernando Garla.
Quanto a um possível ressarcimento de valores aos cofres estaduais, tendo em vista as modificações constatadas, o secretário garantiu que o custo está dentro dos parâmetros aceitos em obras de grande porte. "O preço está ali, não foi alterado por conta desse episódio. Acho que é difícil comparar. A construtora está assumindo todo reforço, a colocação de pilares e blocos, sem nenhum custo para o Governo". Ele também citou o aumento de 40 para 100 metros na extensão do viaduto, alteração, conforme ele, também feita a pedido da população.
Vale lembrar que, além do viaduto da PR-445, o Governo modificou o projeto original da avenida Harry Prochet, entre o Conjunto Jamile Dequech e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), o qual previa um viaduto de transposição sobre a via. No local, está sendo edificada uma trincheira. (Com informações da CBN Londrina).
Justiça manda paralisar a obra
A Justiça paralisou as obras no viaduto da PR-445 com a avenida Dez de Dezembro após o pedido de providências da Promotoria de Defesa de Saúde Pública, do Trabalhador e da Habitação e Urbanismo, assinada pelo promotor Paulo Tavares.
O Judiciário entende que "há dúvidas quanto à segurança e solidez da estrutura, não havendo certeza de sua estabilidade, configurando potencial risco aos cidadãos". As primeiras fissuras foram descobertas em 2014.
A decisão foi baseada na avaliação do CEAL, cujo laudo apontou a instabilidade da edificação. O magistrado determinou que seja feita uma nova reunião entre os órgãos até o dia 22, além da apresentação de um plano de monitoramento.