Paraná

Turismo religioso impulsiona economia no interior paranaense

03 abr 2026 às 07:47

O turismo religioso é uma das modalidades que mais crescem no Paraná. Unindo fé, arquitetura e belezas naturais, os destinos atraem milhões de visitantes anualmente. Segundo dados da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio-PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná), entre os mais de 2,4 mil atrativos catalogados pela Paraná Turismo, 299 integram o segmento de turismo religioso, sendo o terceiro mais procurado pelos viajantes e responsável pela composição de uma fatia significativa do PIB (Produto Interno Bruto) turístico paranaense.


Números reunidos a partir de levantamentos de fluxo nas principais atrações do Estado e indicadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontaram, em 2025, um recorde de mais de dez milhões de turistas circulando pelo Paraná, considerando todos os segmentos. Os atrativos religiosos tiveram uma importante contribuição nesse volume, registrando alta de 19% na visitação em relação ao ano anterior. As atividades turísticas no Estado cresceram 5,5% naquele ano.


Em todo o país, o turismo religioso movimenta R$ 15 bilhões. No Paraná, o PIB das atividades turísticas, de todos os segmentos, ultrapassou a marca de R$ 12 bilhões em 2025, representando, aproximadamente, 2,5% do PIB total do Estado. Somente no ano passado, o governo do Paraná apoiou 846 eventos, um avanço de mais de 180% na comparação com o ano anterior. Um dos principais focos desse apoio foram as festas de padroeiros e as romarias.


Os roteiros religiosos passam por todas as regiões e abrangem todas as denominações. O mapa no Estado inclui santuários, igrejas, mesquitas, terreiros de umbanda, templos budistas, mosteiros e museus de arte sacra.


Mas o impacto do turismo religioso é sentido especialmente no interior, onde os atrativos transformam pequenas cidades em centros de peregrinação e espiritualidade, movimentando toda a economia local. Ainda há muita dificuldade em se obter números oficiais que demonstrem a dimensão do crescimento desse segmento turístico no Estado, mas alguns dados isolados ajudam a compreender a sua importância econômica.


A Rota do Rosário, criada em 2008 e decretada Patrimônio Cultural Imaterial do Estado em 2025, é um exemplo. Anualmente, mais de um milhão de turistas circulam pelos 17 santuários distribuídos por 14 municípios do Norte Pioneiro e dos Campos Gerais, consolidando-se como um dos mais relevantes roteiros de peregrinação da Região Sul do Brasil. A rota tem 650 quilômetros de extensão.



Outro destaque é Lunardelli (Vale do Ivaí), município onde vivem pouco mais de 4,8 mil habitantes, mas que recebe, todos os anos, entre 150 mil e 200 mil pessoas, atraídas pelo Santuário de Santa Rita de Cássia - uma população flutuante que supera em até 40 vezes a fixa. Reconhecida como polo turístico representativo no Paraná, Lunardelli recebeu o título de Capital Paranaense da Fé.


Em Bandeirantes (Norte), o Santuário de São Miguel Arcanjo reúne, sozinho, cerca de 500 mil peregrinos por ano, o que o torna um dos maiores atrativos turísticos do Sul do país. A maioria dos visitantes é do Paraná e de São Paulo, mas a fama do espaço religioso já avançou para outros estados e ultrapassou fronteiras e não raramente, é possível ver no local romeiros de outros países, especialmente da América do Sul.


Secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Bandeirantes, Guilherme Meneghel calcula em cerca de R$ 64 mil mensais o montante movimentado por turistas que visitam o Santuário de São Miguel Arcanjo e o Santuário Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, o que corresponde a mais de R$ 760 mil por ano gastos na rede hoteleira, restaurantes e comércio. Para os cofres do município, é um valor significativo, mas que ainda pode crescer. “Hoje, a importância é que está todo mundo investindo para ter melhor qualidade de recepção, gerando emprego e qualificação de mão de obra”, disse Meneghel.


O grande diferencial do turismo religioso é que, ao contrário do turismo de lazer, ele é perene e não sazonal. Ao investir no segmento, o município tem a possibilidade de transformar a sua dinâmica financeira, mantendo estabilidade no fluxo de caixa, arrecadação tributária constante referente ao setor e atração de investimentos e infraestrutura, para citar algumas vantagens.



A construção de um resort bem próximo ao santuário em Bandeirantes é um dos exemplos de investimentos feitos na cidade em razão do turismo religioso. “Todo dia 29 de setembro (dia dedicado a São Miguel Arcanjo, no calendário religioso), chegamos a ter uma Bandeirantes dentro de Bandeirantes. No ano passado, havia 30 mil pessoas no santuário nesse dia. Fora os finais de semana. No dia 29 de cada mês, milhares de pessoas chegam em caravanas. A gente fica assustado de ver. Para mim, que sou católico, achava que todo mundo era devoto de Nossa Senhora Aparecidas, mas é impressionante o número de devotos de São Miguel”, comentou o secretário.



As expectativas do município para esse segmento econômico são as mais promissoras e o planejamento de aplicação de recursos considera esse potencial. Entre os investimentos para aumentar a atratividade do município aos turistas, estão melhorias na infraestrutura, como iluminação e ciclovias, até estímulo ao comércio. “É um turismo que não retrai. É uma aceleração tranquila, lenta, mas que só cresce e tende a aumentar cada vez mais”, disse Meneghel.


Fórum discute profissionalização e geração de renda no Norte Pioneiro


Uma prova do fortalecimento do turismo religioso no Estado e de sua importância para o desenvolvimento econômico e social dos municípios que investem nesse segmento é o Fórum Paranaense de Turismo Religioso, que em 2026 chega à oitava edição. Com o intuito de discutir a profissionalização do setor turístico paranaense, o evento acontece entre os dias 7 e 9 de abril, no Centro de Eventos Prefeito José Antônio de Oliveira, em Jacarezinho (Norte Pioneiro). A cada ano, um município é escolhido para ser a sede do fórum.


“Vai ser um momento de todos estarem presentes no mesmo ambiente e aprender como fazer turismo”, disse Mara Mello, presidente da Atunorpi (Associação Turística do Norte Pioneiro), que junto com a Setu (Secretaria de Turismo do Paraná) e o Comitê Institucional do Turismo Religioso, é responsável pela realização do evento.



Durante o fórum, experiências de outras localidades serão compartilhadas e haverá painéis voltados à qualificação e capacitação para que cada gestor possa aproveitar ao máximo todo o potencial do turismo religioso em seu município. Artesanato religioso, planejamento de novas rotas, estruturação de projetos para captação de recursos, regulamentação e legislação voltada ao turismo religioso são alguns dos temas incluídos na programação.


O próprio evento já contribui para fomentar a economia do Norte Pioneiro. A rede hoteleira de Jacarezinho não foi suficiente para atender a demanda e parte dos participantes ficará hospedada em hotéis e pousadas de cidades vizinhas. Segundo a Atunorpi, são esperados cerca de dois mil participantes por dia. “Não é um fórum de uma única denominação. Vai ter a presença de católicos, evangélicos, budistas, muçulmanos, umbandistas. Vamos reunir todas as denominações”, destacou Mello.


Coordenador da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio-PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná), Giovanni Bagatini ressaltou que essa é uma oportunidade de fomentar a economia regional, além de apresentar novas possibilidades de geração de renda para as comunidades locais. “As capacitações são voltadas aos que trabalham com o turismo, desde o setor público até o privado. Mas também é importante sensibilizar a população para conhecer os impactos do turismo religioso como oportunidades de oferta de produtos e serviços, incentivando essas pessoas a entrarem neste mercado.”(S.S.)

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