Milhares de mulheres participam neste sábado (13) da terceira edição da Marcha das Vadias de Curitiba, no centro da capital, para protestar principalmente contra a violência de gênero, o machismo, a criminalização das vítimas e todas as outras formas de opressão. A mobilização começou por volta de 11h, na Praça 19 de Dezembro, conhecida como "Praça do Homem Nu", mas chamada pelas manifestantes também de "Praça da Mulher Nua", em referência às duas estátuas que existem no local.
Com placas e cartazes que traziam críticas à criminalização do aborto e a projetos como o Estatuto do Nascituro e a chamada "Cura Gay", as "vadias" seguiam em passeata até a Boca Maldita. A Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal acompanhavam a movimentação no final desta manhã. Até perto de meio-dia, não havia registro de nenhuma ocorrência de gravidade. A PM ainda não tinha uma estimativa de público. No ano passado, mais de cinco mil pessoas participaram da marcha.
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Segundo a historiadora e professora Máira de Souza Nunes, de 38 anos, uma das organizadoras, o objetivo do ato é denunciar os crimes que têm acometido mulheres no Paraná e, especialmente, em Curitiba. Ela lembrou os últimos números do Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari, com dados de 2010, que apontaram o Estado como terceiro em número de assassinatos contra mulheres, com 388 homicídios registrados. E pediu mais empenho do poder público no combate ao problema. "Esse ano, além da questão sexual, a gente marcha para denunciar a omissão do Estado em produzir políticas públicas que acabem com esse cenário da violência. Nem a criação da Secretaria da Mulher, no começo do ano, em Curitiba, representou medidas concretas para a questão. Nós não queremos dizer que a culpa é apenas dos homens, mas da sociedade em geral, que é omissa, que tolera".
A funcionária pública Fabiane Belém, de 30 anos, que participa da marcha pela segunda vez, criticou o fato de, em 2013, ainda existir diferença de tratamento no mercado de trabalho e em outros espaços públicos e privados. "A mulher, por mais incrível que pareça, recebe menos que o homem, mesmo exercendo as mesmas funções; e não tem escolha sobre o corpo dela, seja por questões machistas ou da igreja. É ainda discriminada pela vontade sexual: se fica com mais de um homem, por exemplo, é taxada de vagabunda. Já passou do tempo da gente ter uma sociedade mais igualitária".

Descriminalização do aborto e veto ao Estatuto do Nascituro estavam entre as reivindicações
A Marcha das Vadias (em inglês SlutWalk) surgiu em 2011, em Toronto, no Canadá, e desde então é realizada em vários lugares do mundo. O nome faz referência a um policial que pediu para as mulheres evitarem se vestir como "vadias", para não serem violentadas.
Dados - O Paraná apresenta uma taxa de 6,3 mortes para cada 100 mil habitantes do sexo feminino. Espírito Santo (com 9,4 casos para cada 100 mil) e Alagoas (8,3/100 mil) lideram o ranking nacional.
Entre os 50 municípios de mais de 26 mil habitantes com mais casos de assassinatos de mulheres em relação à população, cinco são paranaenses. Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ocupa o segundo lugar na classificação, com 11 mulheres vítimas de homicídio e taxa de 24,4 casos por 100 mil habitantes. (Atualizado às 12h48)