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Curitiba

27 presos fogem por buraco no teto de cadeia

Agência Estado
31 dez 1969 às 21:33
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A precariedade da carceragem e a superlotação do 11º Distrito Policial, na Cidade Industrial de Curitiba, provocaram a fuga de 27 detentos na manhã de hoje. Até o início da tarde, apenas dois haviam sido recapturados. No momento da fuga, a carceragem estava com 148 presos, quando a capacidade ideal é de apenas 40. Além disso, desde o início do ano, quando houve uma rebelião, as portas que separam as oito celas foram arrancadas e não mais colocadas, permitindo que os presos circulem livremente. Investigadores e auxiliares de carceragem perceberam a fuga por volta das 6h30 e tiveram tempo de impedir que outros conseguissem sair.

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Um inquérito administrativo deve apurar as circunstâncias da fuga, mas a hipótese mais provável segundo a polícia é a de que uma serra tenha chegado às celas escondida em meio a alimentos levados pelos familiares dos presos. Eles conseguiram serrar os ferros colocados no sistema de ventilação próximo ao banheiro e abriram um buraco no teto da delegacia, permitindo acesso livre ao exterior. Para descer ao chão, improvisaram uma espécie de corda com tecidos.

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Em entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Jorge Azor Pinto, procurou destacar o trabalho policial. "A produção de presos é fruto do trabalho da polícia", afirmou. "Nunca se prendeu tanto." Segundo ele, em Curitiba, são presas, em média, 50 pessoas por semana. De acordo com a polícia, a maioria dos presos que escaparam responde por crimes de tráfico de drogas, roubo ou furto. "São de pouca periculosidade", garantiu Pinto.



A intenção da Secretaria da Segurança Pública era fechar toda a carceragem para uma reforma. No entanto, como não conseguiu a transferência dos presos, a reforma foi adiada. O delegado-geral acentuou que há necessidade de um "fluxo mais constante" no regime de progressão do sistema penitenciário, o que ajudaria a tirar presos condenados das cadeias. Além disso, a expectativa é de que o governo construa 61 celas modulares, cada uma para 12 presos. A princípio, deveriam estar prontas este mês, mas o delegado-geral alegou que questões climáticas atrapalharam as obras que não têm mais prazo.


Desde o ano passado, foram feitas várias críticas em relação ao 11º DP. A morte de um preso que apresentava problemas de diarreia, vômito e febre levou até mesmo à interdição pela Vigilância Sanitária. Mesmo com melhorias no sistema de ventilação, os presos fizeram uma rebelião em janeiro, resultando em um morto.


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