Polícia

Assédio sexual: monitor é denunciado por alunas de colégio cívico-militar em Cornélio

10 fev 2026 às 17:35

Um monitor militar de um colégio cívico-militar de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) foi denunciado por oito alunas, com idades entre 11 e 13 anos, por assédio sexual. Os casos teriam acontecido entre 2022 e 2023, mas a denúncia só veio à tona na semana passada, após reportagem publicada pela BBC News.


A FOLHA teve acesso a parte do processo, que detalha os relatos das vítimas, que citam toques indevidos no corpo, como nos seios e nas coxas. A situação foi levada à polícia, que abriu uma investigação, hoje sob sigilo judicial.


O policial militar aposentado começou a trabalhar no colégio em 2021 e só foi desligado no começo de 2025, segundo dados do Portal da Transparência. Ele passou a ser investigado por importunação sexual e estupro de vulnerável. De acordo com a BBC News, ele teria sido afastado das funções de monitor após os relatos das alunas e passou a atuar no setor administrativo, mesmo após as denúncias.


Em um dos relatos que constam no processo judicial, uma das meninas afirma que o monitor “tinha um olhar malicioso, chegava nas meninas tocando no ombro e ela não gostava”, e que o homem “passou a mão em sua coxa”. Outra aluna relata que, enquanto estava com dor de cabeça, o monitor “começou a passar as mãos no pescoço dela, subindo para o cabelo”. Em juízo, uma estudante disse que o homem “a pegou pela cintura com um braço, para perto do corpo dele, e a apertou”.


O governo do Estado ampliou nos últimos anos o modelo de colégios cívico-militares, que hoje soma mais de 340 instituições. O formato integra práticas de gestão civil com a atuação de militares da reserva em funções administrativas e de apoio à rotina escolar.


O MPPR (Ministério Público do Paraná) informou, em nota encaminhada à reportagem, que “após a instrução processual, a 2ª Promotoria de Justiça de Cornélio Procópio manifestou-se pela absolvição”. “O processo, que tramita sob sigilo, está em andamento, com recurso pendente de julgamento no TJPR”, diz o MPPR.


A FOLHA também questionou a Seed (Secretaria de Estado da Educação) e a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública), que enviaram a mesma nota sobre o caso, afirmando que “todas as denúncias são apuradas conforme a legislação vigente e o vínculo funcional do profissional, sendo que servidores civis e militares são afastados de forma preventiva sempre que há registro de denúncia”.


“O Estado mantém política de tolerância zero a qualquer forma de assédio ou violência no ambiente escolar. O Paraná reafirma seu compromisso com a segurança da comunidade escolar e com a transparência", completa a nota.


A presidente da APP-Sindicato, Valquíria Olegário Mazeto, afirmou que a denúncia envolvendo um colégio cívico-militar de Cornélio Procópio não havia chegado previamente ao sindicato e só se tornou conhecida após apuração jornalística, já que o caso tramita sob sigilo judicial.


Segundo ela, o sindicato recebe relatos por meio de seu canal de denúncias, principalmente de estudantes, familiares e professores, mas atua sobretudo na orientação sobre os procedimentos, como procurar a direção da escola, registrar boletim de ocorrência e acionar o Conselho Tutelar.


“A partir dessas orientações, nem todas as denúncias que chegam inicialmente para nós temos condições de acompanhar os desdobramentos, como a abertura de investigações ou se o Estado faz o trato adequado. A gente sempre faz a acolhida e as orientações sobre os canais de denúncia que precisam ser acionados", reforça.


Leia a reportagem completa na Folha de Londrina:

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