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Pela quinta vez

Chuva adia reconstituição de suposto confronto no autódromo de Londrina

Luís Fernando Wiltemburg - Redação Bonde
10 mar 2026 às 13:04

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Luís Fernando Wiltemburg/Redação Bonde
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A chuva impediu a reconstituição do suposto confronto policial que deixou dois jovens mortos e um ferido em maio de 2022, marcada para ocorrer às 9h desta terça-feira (10), no Autódromo Ayrton Senna, em Londrina. Para os advogados dos familiares das vítimas, a suspensão cria um prazo para tentar levar a reprodução simulada dos eventos para o local exato da ocorrência, na PR-445.


Segundo o advogado Mauro Martins, representante do jovem que sobreviveu ao confronto, a suspensão da reprodução simulada foi necessária devido à previsão de chuvas para o dia todo. “A reprodução é feita individualmente com cada policial, colhendo as versões de cada um, e haveria interrupção a partir do momento que começasse a chover forte. Não há possibilidade de interromper um ato e designar uma continuidade”explica..

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Advogado das famílias dos jovens mortos, Marcus Vinicius Marques defende a reprodução simulada no local onde ocorreram os fatos conforme previsto legalmente. “A lei determina que [a reconstituição] seja onde aconteceram os fatos para ser o mais próximo da realidade. Questões como topografia, luminosidade, dimensões, tudo isso fica tecnicamente melhor representado em um laudo”, explica


Desde abril do ano passado, essa é a quinta vez que a simulação da dinâmica do suposto confronto é adiada. 


A primeira reconstituição foi marcada em abril de 2025, na PR-445. Entretanto, devido à coincidência da data com a ExpoLondrina. o comando da Polícia Militar em Londrina alegou efetivo insuficiente para garantir a segurança. A reprodução simulada foi remarcada para maio do mesmo ano, mas adiada novamente para outubro, na sede do IML (Instituto Médico-Legal). Porém, desentendimento entre advogados, familiares das vítimas e autoridades levaram a um novo adiamento, com remarcação para esta terça.


Relembre o caso


Anderbal Campos Bernardo Júnior, 21, Willian Jones Faramilio da Silva, 18 e um terceiro jovem, de 23 anos à época, estavam dentro de um Cruze na PR-445 quando foram interceptados por uma viatura do Batalhão de Choque nos arredores da UEL (Universidade Estadual de Londrina). 


Segundo a versão da PM, o veículo era fruto de roubo e os jovens teriam ameaçado os agentes apontando armas. Anderbal e Willian morreram no local, mas o terceiro jovem sobreviveu e foi socorrido. Na versão dele, os policiais chegaram atirando, plantaram as armas que foram apreendidas e retiraram as vítimas de dentro do veículo.


Para os familiares das vítimas, a situação foi uma execução. Unidos a outras mães de jovens que morreram em situações envolvendo autoridades de segurança, fundaram o movimento Justiça Por Almas, que busca o fim de mortes violentas envolvendo policiais.


Valdirene Inácio da Silva, mãe de Aderbal, e Haydee Melo e Maria Lopes de Melo, tia e avó de Willian, respectivamente, estiveram no autódromo, embora a reconstituição não pudesse ser acompanhada por familiares - os policiais alegaram temer pela própria segurança.

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Após a nova suspensão, os familiares das vítimas reclamaram de deboche por parte dos acusados. “Eles riem da nossa cara, mas eu não ligo. Sabe por quê? O problema deles não acabou aqui. Vai continuar arrastado por 10, 15, 20 anos. E eu não abro mão disso”, diz Valdirene.


(Atualizado às 15h31)

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