A Secretaria da Segurança Pública do Paraná informou que o delegado Gerson Melo Runpfe, baleado em confronto no Parolin, em Curitiba, no fim da tarde de sábado, foi ouvido nesta segunda-feira (8), na Delegacia de Homicídios. O delegado, lotado na Corregedoria da Polícia Civil, se prontificou a passar por exame toxicológico.
Gerson explicou que acompanhou um conhecido até o local para registrar o tráfico. Esse homem tinha deixado uma motocicleta como garantia de pagamento de drogas e estava ameaçado de morte. O delegado deixou-o próximo ao local onde ocorreu o tiroteio. Em seguida, percebeu que o homem foi cercado por cerca de 20 pessoas que passaram a agredi-lo.
O delegado, para impedir o linchamento, tentou intervir na confusão e teve sua arma tomada por um dos participantes da confusão. Seu filho, que havia ficado no carro, foi retirado do veículo e baleado na perna. Gerson conseguiu retornar ao automóvel e pegar a arma reserva, e atirar para dispersar o grupo. Ele afirmou não ter visto mais ninguém ferido, além de ele próprio e seu filho. Os dois conseguiram fugir do local e ir até o hospital. Gerson foi baleado de raspão na cabeça.
Ainda no estacionamento do hospital, logo após o ocorrido, a viatura descaracterizada em que estavam Gerson e seu filho foi periciada pelo Instituto de Criminalística. Foi constatado um disparo na traseira do veículo e marcas de muitas mãos na lataria, como se o carro tivesse sido cercado.
As duas armas do policial foram recuperadas e estão apreendidas. Elas serão submetidas à perícia para determinar se partiu de alguma delas o tiro que matou Luiz Adilson Neves, 33 anos, na mesma ocorrência. Luiz já foi preso por porte ilegal de arma e disparo de arma de fogo, em Antonina, no litoral do Estado, e estava em liberdade provisória desde 1.º de dezembro do ano passado.
As providências iniciais estão sendo tomadas pela Delegacia de Homicídios de Curitiba, onde o delegado Gerson se apresentou espontaneamente na manhã desta segunda-feira (8) e foi ouvido. Por conta das peculiaridades a situação, deverá ser designado um delegado especial para presidir o inquérito. Gerson está há quase 30 anos na Polícia Civil e nunca teve processo contra si.