Polícia

Justiça tenta agilizar destruição de armas em fóruns do Paraná

24 jun 2016 às 08:17

Armas mantidas em fóruns do Paraná geram insegurança e são motivo de preocupação para servidores da Justiça no Estado. A precariedade no armazenamento, conforme o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Paraná (Sindijus-PR), preocupa a categoria. Segundo o coordenador geral do sindicato, José Roberto Pereira, grande parte dos fóruns não possui estrutura específica para guardar os materiais. "Temos vários casos em que as armas foram roubadas. É difícil dizer onde há o armazenamento correto. No geral, elas ficam em uma sala, sem uma porta reforçada ou algo assim. Isso é em todo o Estado", apontou.

Pistolas, revólveres e outros materiais são encaminhados para os fóruns e ficam nos locais durante o andamento dos processos. No entanto, mesmo após a conclusão do julgamento, a Justiça demora a encaminhar as armas para serem destruídas ou para devolvê-las nos casos em que o réu absolvido possui porte.


Em Londrina, 1.157 armas permanecem no fórum criminal. Os itens são referentes aos processos em andamento ou que já tramitaram nas varas criminais, no 5º e no 6º Juizado Especial e na Vara da Infância e Juventude. A última remessa encaminhada para destruição foi enviada ao Batalhão do Exército, em Apucarana, no início do mês. As 400 armas que estavam sob a responsabilidade da 1ª e da 4ª Vara Criminal foram transportadas com escolta da Polícia Militar. "Junto com os policiais, vai um funcionário da vara responsável que acompanha essa destruição. Após esse procedimento, ele traz um recibo para documentar a ação", explicou a juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elisabeth Khater.


Ela destaca ainda que um levantamento feito nas varas criminais nos últimos anos auxiliou os trabalhos de organização e encaminhamento das armas para destruição. "O número de armas era muito maior. Elas eram guardadas em três locais diferentes. Hoje estão em um cofre. Nós também pedimos ajuda à corregedoria do Tribunal de Justiça para que ninguém corra riscos. A gente nunca sabe o que pode acontecer", alertou.


O levantamento feito pelos juízes de Londrina segue recomendações feitas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo próprio Tribunal de Justiça do Paraná. "Precisamos deixar a casa em ordem e resolver essas pendências. Temos um policial militar no Tribunal de Justiça que faz a gestão de todo esse trabalho", ressaltou Elisabeth.


Em dezembro do ano passado, 90 armas foram roubadas de dentro do fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Parte das armas foi recuperada posteriormente. Porém, o caso mais emblemático ocorreu em 2012 na cidade de Colombo, também na RMC. Na ocasião, uma quadrilha roubou 291 armas e munições que estavam armazenadas no prédio do fórum.

"É um processo lento demais. Já fizemos vários pedidos para agilizar isso, mas parece que se tornou um vício na administração pública. Com a demanda tão grande no Judiciário, essa situação acaba ficando de lado e gera riscos para a população e para os próprios servidores, mas, infelizmente, o pessoal só se preocupa quando acontece o pior", reforçou o coordenador geral do Sindijus-PR.


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