Uma ação conjunta entre as Polícias Civis dos estados do Paraná e de São Paulo, deflagrada na manhã desta quarta-feira (1º), resultou na apreensão de dois adolescentes suspeitos de integrar uma rede de crimes graves praticados em ambientes virtuais.
Denominada "Operação Battle Royale", em alusão ao gênero do jogo eletrônico Free Fire, a ação mirou alvos nos municípios de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) e Capivari (SP). As investigações apontam que os jovens utilizavam a plataforma de jogos para selecionar, atrair e coagir vítimas, cometendo crimes como extorsão, estupro de vulnerável, estímulo ao suicídio e armazenamento de material de abuso e exploração sexual infantil.
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De acordo com as autoridades, o esquema criminoso seguia um roteiro de manipulação psicológica que começava com o contato inicial dentro do ambiente virtual do Free Fire. Após estabelecerem um vínculo de confiança com outros jogadores, em sua maioria crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, os investigados passavam a praticar extorsão mediante ameaças.
Sob o risco de terem conteúdos íntimos expostos, as vítimas eram forçadas a enviar novas fotos e vídeos de natureza sexual, além de serem coagidas a fazer atos de automutilação e comportamentos degradantes diante das câmeras, tudo sob monitoramento e pressão constante dos agressores.
Acervo ilícito
Há indícios de que os atos praticados sob intimidação eram registrados pelos próprios investigados para formar um acervo ilícito de material. Esse conteúdo era utilizado como instrumento para novas chantagens, gerando um ciclo contínuo de submissão e exploração.
Além do uso para coação, a Polícia Civil apura a possível comercialização desses vídeos na internet, o que aumentaria o alcance e a complexidade da rede criminosa. No município de Ibiporã, o adolescente foi apreendido em flagrante nesta manhã, sendo encontrado com conteúdo ilícito armazenado em seu aparelho celular e conversas que indicam a existência de outras vítimas ainda não identificadas formalmente.
Os mandados de apreensão executados nesta quarta-feira foram expedidos pela Justiça de São Paulo, mas o trabalho investigativo no Paraná já vinha apresentando desdobramentos importantes. Em 14 de dezembro de 2025, a Polícia Civil de Ibiporã já havia cumprido um mandado de busca e apreensão contra o mesmo investigado, ocasião em que um aparelho celular foi apreendido e encaminhado ao Instituto de Criminalística.
O dispositivo, considerado elemento central para o aprofundamento do caso, ainda passa por perícia técnica especializada. O laudo pericial final será fundamental para confirmar a extensão dos crimes, identificar novas vítimas e rastrear a circulação do conteúdo produzido pelos adolescentes. As investigações seguem em andamento para identificar possíveis outros envolvidos no esquema.