Polícia

Operação mira organização criminosa envolvida com tribunal do crime em Jacarezinho

10 jul 2025 às 08:47

A Polícia Civil do Paraná deflagrou uma operação em Jacarezinho (Norte Pioneiro) na manhã desta quinta-feira (10) contra um grupo criminoso investigado pela atuação no tráfico de drogas e na execução de "tribunais do crime". 


Os policiais permanecem nas ruas e, até o momento, já foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e 12 de prisão, sendo quator em flagrante, pelos crimes de tráfico de drogas, associação criminosa e porte ilegal de armas. 


Ao todo, a operação, chamada de Leão de Nemeia, envolve 80 policiais e 30 viaturas, além do emprego de cães de faro e o apoio aéreo de um helicóptero da Polícia Civil. A ação desta manhã é um desdobramento de uma investigação iniciada em fevereiro deste ano com a prisão em flagrante de uma mulher, apontada como liderança local do tráfico de drogas.


“A análise técnico-investigativa iniciada após esta prisão revelou uma intrincada rede criminosa com rígida hierarquia e segmentação de tarefas: desde a gestão da contabilidade, passando pela distribuição, cobrança, disciplina interna e até mesmo o julgamento de membros por meio de uma estrutura paralela conhecida como tribunal do crime”, explica o delegado Tristão Borborema, responsável pela investigação. 


Os elementos colhidos indicam que a investigada exercia função de comando dentro de uma célula de uma organização criminosa de atuação nacional. Ela atuaria no disciplinamento interno, resolução de conflitos e administração de pontos de tráfico. Conversas interceptadas também demonstraram sua autoridade sobre diversos membros, inclusive indivíduos em privação de liberdade que, mesmo reclusos, prosseguiram na articulação das ações externas do grupo.


Além da atuação da suspeita, a investigação apurou que o grupo agia em bairros distintos de Jacarezinho, sendo que todos os pontos eram interligados por uma cadeia operacional voltada ao comércio ilícito de entorpecentes, aliciamento de adolescentes e uso da intimidação como forma de garantir a “lei do silêncio”, lealdade e eficiência no cumprimento das diretrizes dos criminosos. 


As diligências revelaram a prática de crimes conexos, como a corrupção de menores, a obstrução da Justiça, o ocultamento patrimonial e o reinvestimento de capitais ilícitos. Também foram identificados ainda mecanismos destinados a dificultar a ação policial, como transferências bancárias dissimuladas, uso de perfis falsos em redes sociais e codinomes.


“Foi uma operação de grande vulto para o município porque era um grupamento voltado à distribuição de drogas e que tinha um grande poderio econômico”, explica Borborema, detalhando que isso foi confirmado através de comprovantes de depósitos bancários encontrados no telefone apreendido. 


Os criminosos vão ser encaminhados ao Poder Judiciário. De acordo com o delegado, a operação deve continuar após a perícia de novos telefones apreendidos pelas equipes.


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