A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (8), a Operação Fundo Falso para cumprir mandados judiciais contra um grupo investigado por aplicar golpes relacionados ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A ação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) e apura os crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e associação criminosa.
Segundo as investigações, os suspeitos atraíam trabalhadores com promessas de liberação de valores do FGTS, antecipação de recursos ou migração de empréstimos para uma modalidade supostamente mais vantajosa, sem descontos em folha de pagamento. Convencidas da suposta regularidade da operação, as vítimas acessavam links enviados pelos investigados, faziam reconhecimento facial e assinavam documentos eletrônicos.
- LEIA TAMBÉM: Trio é procurado por furtar peças de contrafilé em mercado de Ibiporã
No entanto, em vez de autorizar procedimentos relacionados ao FGTS, elas acabavam contratando empréstimos consignados em seus próprios nomes. Após a liberação do dinheiro, eram orientadas a transferir parte dos valores para contas indicadas pelos suspeitos, sob a alegação de que isso seria necessário para concluir a operação. Somente depois percebiam que haviam assumido uma dívida, com descontos mensais em seus salários.
A Justiça autorizou o cumprimento de seis mandados de prisão temporária e sete mandados de busca e apreensão. De acordo com a Polícia Civil, as prisões têm caráter exclusivamente investigativo e visam possibilitar interrogatórios, acareações, análise dos materiais apreendidos e outras diligências para esclarecer os fatos e identificar a participação de cada investigado.
Durante o andamento da investigação, a Polícia Civil identificou mais seis vítimas do esquema, elevando para 17 o número de trabalhadores lesados. As novas vítimas foram localizadas após o cruzamento de boletins de ocorrência registrados em diferentes municípios, o que reforça a suspeita de atuação organizada do grupo criminoso.
Os investigadores não descartam a existência de novas vítimas em outras cidades do Paraná e até mesmo em outros estados. A orientação é para que pessoas que tenham sido abordadas com promessas semelhantes de liberação ou desbloqueio de valores do FGTS e que tenham contratado empréstimos sem perceber procurem a delegacia mais próxima para registrar boletim de ocorrência e contribuir com as investigações.
O nome Operação Fundo Falso faz referência ao uso fraudulento do FGTS como principal atrativo para convencer as vítimas. Conforme a Polícia Civil, a organização utilizava a credibilidade do benefício para dar aparência de legitimidade ao golpe e induzir trabalhadores à contratação de empréstimos consignados e à transferência de parte dos valores aos investigados.