A Secretaria Estadual de Justiça concluiu sindicância sobre a rebelião na Penitenciário Estadual de Cascavel, que ocorreu em agosto e terminou com a morte de cinco presos e concluiu que a omissão dos agentes penitenciários e dos diretores da penitenciária podem ter colaborada para a ocorrência do motim. Assim, a Seju determinou a abertura de processo administrativo contra 11 agentes penitenciários de Cascavel.
Entre os agentes que responderam disciplinarmente à Secretaria estão Edson Pereira de Souza, diretor da PEC na data da rebelião, e André Luiz Romera, seu sucessor no cargo. Eles são acusados de, entre outras irregularidades, "terem sido omissos em comunicar ao Departamento Penitenciário (Depen) que os agentes trabalhaam apenas 03 e 04 horas no período noturno e as demais dormiam ou descansavam em prejuízo da segurança da Unidade; concedidos folgas, em número superior ao regulamentar, aos Agentes Penitenciários que auxiliavam a DISED e as Inspetorias; permitido por omissão, a aplicação na PEC de um regime disciplinar diferenciado a presos alojados na 9ª Galeria do Bloco 03 da Unidade; permitido por omissão, que os presos mais vulneráveis ("de seguro") permanecessem alojados próximos aos presos considerados mais perigosos e que recebiam o tratamento disciplinar diferenciado, fragilizando sobremaneira a segurança dos primeiros; e por ter sido omisso, deixando de adotar medidas preventivas ou reforço à segurança, quando recebeu informes de que os presos estariam se preparando para algum movimento contra a ordem e a disciplina".
Aos membros da Divisão de Segurança e Disciplina (DISED), além das acusações de omissão, promoção e gozo de folgas além do regulamentar, e permitido o alojamento dos presos do "seguro" próximos aos presos perigosos, a sindicância os acusa de ter "participado ativamente da decisão de manter apenas um agente penitenciário, por Bloco, durante a noite, no período compreendido entre 19:00 hs e 06:00/07:00 hs da manhã do dia seguinte, com o trancamento das galerias e seus quadrantes de acesso, sendo que, em decorrência, as rondas eram realizadas apenas no corredor central da Unidade"; por ter deixado de adotar medidas preventivas ou de reforço à segurança, quando recebeu informes de que os presos estariam se preparando para algum movimento contra a ordem e a disciplina; e por ter participado ou permitido a ocorrência de constantes agressões físicas e psicológicas (humilhações, xingamentos, desprezo, pedidos de licença até para objetos) em detrimento dos presos.
Os agentes que estavam em serviço durante a rebelião também serão alvo de processos administrativos. Alguns por estarem dormindo, ou fora de seus pontos de trabalho, assistindo televisão e outros pela conduta com os presos no momento do motim, que facilitaram, ou até incentivaram a rebelião.
Dentro do processo administrativo, os agentes envolvidos terão direito à defesa, apresentando suas alegações. A Seju espera concluir os processos em 30 dias. O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Anthony Johnson, lamentou que apenas a abertura dos processos tenha sido tornada pública, com as supostas irregularidades cometidas pelos agente, e não a íntegra da sindicância, à qual o sindicato ainda não teve acesso. "Assim, o que posso falar neste momento, é que vamos defender todos os agentes citados e mostrar que é muito fácil o governo culpar os servidores ao invés de reconhecer os problemas de estrutura e da falta de efetivo", declarou.