Policias do Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce) prenderam sete pessoas acusadas de comércio clandestino de ouro na manhã desta quinta-feira (8). A ação policial foi batizada como "Comendador". Foram cumpridos 40 mandados judiciais, sendo sete de prisão e 33 de busca e apreensão. A operação aconteceu em Curitiba e na cidade de Paranaguá.
Na casa dos ourives e em joalherias, os policiais apreenderam centenas de joias, pouco mais de R$ 30 mil em espécie, um revólver calibre 32, munições de calibre 380, cilindro de gás e demais equipamentos usados para derreter ouro. A polícia estima que foi apreendido mais de R$ 1 milhão em joias. Entre os objetos recolhidos pelo Nurce estão dois relógios da marca Rolex avaliados em mais de R$ 40 mil cada um.
O delegado que coordena o Nurce, Renato Basto Figueroa, explica como a quadrilha agia. "O ‘modus operandi’ era simples. Eles adquiriam as joias e imediatamente as derretiam para que o ouro não pudesse ser rastreado e posteriormente revendiam para diversos outros estabelecimentos", diz. Durante a investigação os policiais identificaram uma negociação de um dente de ouro entre um dos presos com um rapaz que trabalha no cemitério. Os alvos desta operação são investigados pelos crimes de associação criminosa, receptação, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
As jóias adquiridas pelos investigados eram derretidas e transformadas em peças que eram revendidas para grandes joalherias do Paraná. O delegado do Nurce, Vitor Loureiro, afirma que todas as joalherias investigadas mantinham, através de funcionários, algum tipo de contato e comprava joias com os ourives presos na operação Comendador.
"Tivemos a comprovação de que essas lojas adquiriam ouro desses ourives, se valendo a esse preço injusto e desse mercado ilegal para depois revender", comentou o delegado citando que o preço do ouro vendido pelos ourives detidos era muito abaixo do preço do mercado. "A Caixa Econômica Federal comercializa o grama do ouro a R$ 140 o grama enquanto que esta quadrilha vendia a R$ 70". Os donos das joalherias investigadas terão de comprovar a origem das joias apreendidas durante a operação.
A polícia não descarta que a quadrilha receptava objetos roubados. "Eles panfletavam nas ruas anunciando que compravam ouro de terceiros e também há suspeitas de que eles adquiriam ouro sem qualquer critério, até mesmo produtos de furto e roubo. A transformação era rápida para não deixar pista do que eles estavam fazendo. O que a gente conseguiu comprovar é que eles movimentavam 2 quilos de ouro por mês o que significa até R$ 400 mil", completou.