Pesquisar

Canais

Serviços

Candidatos reunidos na rádio Paiquerê: até quinta-feira, serão mais três debates na televisão - Olga Leiria/Equipe Folha
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Hauly e Barbosa

Acusações sobre passado e perfis marcam debate

Loriane Comeli - Redação Bonde
31 dez 1969 às 21:33
Continua depois da publicidade

Permeado por um imenso rol de promessas e por críticas mútuas, o debate entre Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT) promovido pela Rádio Paiquerê AM, entre às 10 horas e meio-dia deste sábado (21), teve momentos de tensão, com ataque aos perfis e ao passado de cada um. A animosidade entre os dois já vem desde o primeiro turno; Hauly levou a melhor e conseguiu disputar o cargo com Belinati, que foi, então, apoiado por Barbosa, a despeito do que seu partido havia decidido.

Continua depois da publicidade
PUBLICIDADE

No debate, também ficou clara a intenção dos dois candidatos fixarem posição política: Barbosa, apostando talvez na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, insistiu no apoio do governo federal, que segundo ele, possibilitará investimentos para Londrina. Hauly frisou sua admiração e seu desejo de dar continuidade aos projetos do governo interino de Padre Roque (PTB), que conforme a última pesquisa, tem 69% de aprovação popular.

Continua depois da publicidade


O primeiro bloco do debate, que teve quatro partes, foi reservado a perguntas de um candidato para o outro. Hauly começou perguntando como Barbosa faria para incentivar o crescimento econômico de Londrina e gerar empregos.


Em sistema de resposta, réplica e tréplica, Barbosa disse que pretende investir na indústria de transformação no campo, agregando valores aos produtos agrícolas. Hauly disse que tem um "programa ambicioso" e pretende criar em quatro anos 12 mil empregos. O pedetista mencionou que "há 90% de chances de uma montadora se instalar em Londrina", que atrairia 27 empresas satélites.


Transporte coletivo

Continua depois da publicidade


Diante da pergunta de um ouvinte sobre como viabilizar transporte gratuito para estudantes e meia passagem aos domingos, surgiu o primeiro embate dos dois candidatos. Barbosa disse que essa não é uma promessa sua. "É temerária essa proposta porque o impacto no equilíbrio financeiro das empresas é muito grande; quem pagaria a conta, seria o trabalhador", afirmou.


Hauly assumiu as propostas e disse ser possível executá-las. Com relação à tarifa 'domingueira', disse que o aumento de passageiros possibilitaria a redução do custo. O próprio sistema de transporte poderia arcar com a passagem para os estudantes. "Para isso precisamos fazer os ônibus andarem mais rápido, a uma velocidade média de 18 quilômetros por hora. Faremos isso, criando a onda verde, canaletas para ônibus".


Diante da explicação de Hauly, Barbosa reiterou que mais gratuidades ensejariam o aumento da tarifa. "Até gostaria de prometer isso, mas estaria sendo irresponsável". Hauly revidou: "Se eu te mostrar o cálculo, talvez você veja que é possível. Mas você realmente não entende nada de orçamento". A troca de farpas se desenrolou pelas próximas perguntas e teve até discussão sobre quem foi o deputado mais votado no Paraná.


Marketing


Questionado pelo jornalista Guilherme Borges sobre o que é promessa real de campanha e o que é marketing político, os dois candidatos disseram que honrarão seus compromissos. "Sou autor do projeto de responsabilidade eleitoral e, portanto, defendo que quem não cumprir as promessas deve ser substituído no governo", disse Hauly. Barbosa afirmou que tem sido humilde. "Sou humilde. Já disse que não tenho solução para tudo, e por isso não assumo compromissos irresponsáveis".


O debate voltou a transcorrer com traquilidade, enquanto os candidatos perguntaram e responderam saúde, meio ambiente e segurança pública, ambos voltando a reafirmar a intenção de criar a guarda municipal e aprimorar o sistema de câmeras de vigilância. Os dois também se disseram contrários à construção da Usina Hidrelétrica Mauá, no Rio Tibagi.


Sobre a Cohab, Hauly disse que não pretende extinguir a companhia e que sua função é construir casa. Barbosa afirmou não ter 'preconceito' sobre a possibilidade de transformá-la em secretaria, conforme defendeu o atual presidente, afirmando que fará o que for melhor para o projeto de habitação.


Responderam ainda sobre a relação com a Câmara e como farão para evitar que projetos técnicos, como os de zoneamento, sejam barganhados no Legislativo. Sobre saúde, ambos reafirmaram a intenção de construir um hospital na zona oeste de Londrina, com o apoio da PUC.


IPTU


O embate seguinte ocorreu quando Hauly e Barbosa se acusaram mutuamente de terem planos de aumentar o IPTU em Londrina. A discussão começou com a resposta de Hauly à pergunta de uma ouvinte sobre a revitalização do centro de Londrina.


"Vamos fazer isso com o dinheiro dos proprietários, que já pagam IPTU". Barbosa, na réplica, disse: "Não vou aumentar IPTU de ninguém para fazer isso". O tucano, então, enfatizou que não se trata de aumentar imposto, mas sim de fazer as melhorias com o dinheiro que já é pago. "Não vou aumentar o IPTU. Agora, o Barbosa, eu não sei", insinuou. O pedetista se irritou e disse que foi Hauly quem aumentou em 600% o IPTU quando era prefeito de Cambé. "Lá foi uma situação extraordinária e você (Barbosa) sabe como era a inflação naquela época".


Concordância


Um curto momento de descontração durante o debate e que até gerou a concordância dos dois candidatos foi quanto à promessa de devolver às pessoas o papel que lhes caberia como acionistas da Sercomtel, já que viabilizaram a empresa comprando linhas telefônicas, antes da privatização.


O mediador do debate, J.B. Faria, disse considerar uma proposta impossível, e perguntou se não seria mais um 'factóide' dos dois. Hauly disse: "Eu fico admirado porque em Londrina nada se pode fazer. É um contencioso que precisa ser resolvido e estou dizendo como isso será feito", criticou Hauly. Barbosa foi na mesma linha: "Nesse ponto, eu concordo com o candidato Hauly: estamos aqui assumindo um compromisso e dizem que nada pode ser feito. Então não precisa prefeito".


Acusações


No quarto e último bloco, o debate ficou mais "quente" com acusações mútuas entre os dois candidatos. Tudo começou com uma pergunta sobre o 'empenho da palavra' dos candidatos, que teriam faltado com um compromisso ainda durante a campanha.


Hauly disse que "depois de tantos anos de vida pública, não aceito desconfiança sobre minha pessoa". Barbosa insinuou que Hauly não teria mantido o compromisso de retirar determinada propaganda do horário eleitoral, que acusaria Barbosa. "No meu programa, só estou falando de proposta. Mas podemos falar não apenas da 'Operação Gafanhoto', mas da 'Operação Castor'".

Hauly disse então que estava tentando manter o nível do debate porque não queria "declinar tudo o que acontece nos bastidores da política londrinense". O clima de animosidade de transcorreu até os últimos minutos do debate, com Barbosa acusando Hauly de, no Congresso, votar contra os aposentados. O tucano seguiu se defendendo, dizendo que não cola nele essa imagem de que apenas ele, Barbosa, é o candidato dos pobres. E por fim também acusou Barbosa de votar contra os aposentados.


Continue lendo

Últimas notícias

Publicidade