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Caixa admite uso de loterias em lavagem de dinheiro

Redação Folha de Londrina
27 fev 2007 às 20:56

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O superintendente de loterias da Caixa Econômica Federal, Paulo Campos, admitiu nesta terça-feira (27) que bilhetes premiados de loteria são utilizados na lavagem de dinheiro. ''Apesar desse segmento (de loterias) ser utilizado para lavagem de dinheiro em todo o País e em qualquer parte do mundo, é onde está havendo maior índice de redução de utilização'', disse, referindo-se aos efeitos dos mecanismos de controle da Caixa e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

No entanto, Campos classificou como ''requentadas'' as denúncias apresentadas pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que, com base em relatórios do Coaf repassados ao Ministério Público (MP), denunciou a existência de um esquema de uso de loterias na lavagem de dinheiro. Campos isentou a CEF de responsabilidade pelas fraudes e não quis especular sobre como os lavadores localizam os donos dos bilhetes premiados para comprá-los.


''Isso é competência da Polícia Federal e do Ministério Público'', disse. ''Não há fraude nas loterias federais. Os indícios tratados na denúncia ocorrem em ambiente externo à Caixa'', completou o superintendente, sugerindo que os lavadores identificam os donos de bilhetes premiados do lado de fora das agências.


Pela lei, a Caixa é obrigada a informar ao Coaf os nomes de todos os ganhadores de prêmios acima de R$ 10 mil, além de operações suspeitas, referentes a vencedores repetidamente sorteados. O Coaf cruza os dados recebidos com aqueles já disponíveis em seus arquivos e remete relatórios comunicando casos suspeitos à PF e ao Ministério Público.


A CEF, negou o envolvimento de funcionários nas fraudes. Segundo Campos, é impossível que um servidor da CEF conheça previamente o nome de um apostador premiado. Como os bilhetes são ao portador, o apostador sorteado só é identificado no momento em que se apresenta à agência para receber o prêmio.


Na última segunda-feira, Dias divulgou um levantamento das comunicações repassadas pelo Coaf à Polícia Federal e ao Ministério Público com os nomes de pessoas suspeitas de utilizarem bilhetes de loterias como forma de lavagem.

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O balanço mostra que no período de 2002 a 2006, apenas 75 pessoas, suspeitas de envolvimento em operações de lavagem, receberam R$ 32 milhões em prêmios.


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