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CPI ouve Gedimar Passos e Hamilton Lacerda

Redação - Bonde
28 nov 2006 às 11:07

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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas ouve nesta terça-feira (28) o advogado e ex-policial federal Gedimar Pereira Passos e o ex-assessor de imprensa do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) Hamilton Lacerda, ambos envolvidos nas denúncias de compra do dossiê contra tucanos. As informações são da Agência Brasil.

A expectativa dos parlamentares é de que esses depoimentos esclareçam dúvidas sobre a entrega de R$ 1,7 milhão que seria usado para pagar Luiz Antonio Vedoin, acusado de chefiar o esquema de compra superfaturada de ambulâncias, pela documentação que incriminaria candidatos do PSDB nas últimas eleições.


A Polícia Federal (PF) concluiu que foi Lacerda quem entregou o dinheiro para a compra do dossiê contra políticos tucanos a Gedimar Passos em um hotel de São Paulo.


"As imagens captadas do Hotel Íbis, as contradições em suas declarações e os relatórios do Núcleo de Inteligência Policial sobre a utilização de um telefone em nome de Ana Paula Cardoso Vieira, demonstram claramente que ele foi a pessoa que entregou, em duas ocasiões, o dinheiro para Gedimar Passos", afirma o delegado responsável pelas investigações, Diógenes Curado Filho, em relatório entregue ontem (27) à Justiça Federal do Mato Grosso.


Hamilton Lacerda teria usado o telefone celular em nome de Ana Paula para fazer as negociações de venda do dossiê. A quebra de sigilo telefônico mostra que o celular fez e recebeu ligações para os envolvidos nas negociações nas vésperas da entrega do dinheiro.


No relatório, o delegado Diógenes Curado afirma, porém, que é cedo para "tecer considerações sobre as outras pessoas que participaram da trama da compra do dossiê".


No documento em que pede mais prazo para a conclusão das investigações, o delegado diz ser necessário ouvir os depoimentos do coordenador financeiro da campanha de Aloizio Mercadante para o governo de São Paulo, Giácomo Bacarin, do diretor do Partido dos Trabalhadores em São Paulo, Paulo Frateschi, e do tesoureiro do partido no estado, Antônio dos Santos.


O delegado ainda espera ouvir o ex-secretário do Ministério do Trabalho, Osvaldo Bargas, que teria participado das negociações com a revista Época para a venda da entrevista dos Vedoin, e tomar o depoimento de funcionários da Transbank, empresa de transporte de valores cujo carimbo consta nas notas de reais apreendidas.


O relatório seguiu para o Ministério Público Federal, que vai autorizar a ampliação do prazo para a conclusão das investigações. Até o momento, três pessoas foram indiciadas por participação no caso: o ex-petista Gedimar Passos, por ocultação de documentos, e os donos da casa de câmbio Vicatur, Fernando Ribas e Sirlei da Silva Chaves, por lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro.

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Diligências feitas na Vicatur apontam que a empresa usou laranjas em operações de compra de dólares. Em depoimento à PF, no entanto, os donos da Vicatur negaram que tivessem repassado os dólares à Hamilton Lacerda ou a outros membros do PT.


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