Pesquisar

ANUNCIE

Sua marca no Bonde

Canais

Serviços

Delator da Lava Jato

Deputado faz festa junina e brinca que banquete foi oferecido por Machado

Agência Estado
20 jun 2016 às 09:56

Compartilhar notícia

Nilson Bastian/Câmara dos Deputados
siga o Bonde no Google News!

Ao sabor da safra 2013 do português "Confidencial", o deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI) investiu pelo segundo ano em uma celebração junina para colegas do parlamento, poucos hoje na esplanada dos ministérios, e recebeu "sem ser muito amigo" o ex-presidente Fernando Collor de Melo (PTC-AL). Tentando se mostrar bem-humorado com sua citação na delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o anfitrião brincou diversas vezes que o banquete e o vinho português eram um oferecimento de Machado, apontado por alguns como "irresponsável", "louco", "operador do PT".

"Não sei onde esse cara quer chegar?", questionavam-se alguns convidados quando a conversa era a delação de Machado, que acabou irritando "e muito" Michel Temer, segundo os que convivem com o presidente em exercício. "A festa está sendo paga pelo que sobrou da grana de Machado. Nunca foi tão bem aplicado o dinheiro do Machado", brincou um Heráclito que se dividia entre as rodas de políticos e orgulho das filhas e dos netos.

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.
Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.


Sempre com o charuto, Collor chegou cedo, acompanhado de sua esposa e filhas gêmeas e foi um dos últimos a deixar a festa. O ex-presidente ficou no centro de uma das rodas, a maior parte do tempo de pé entre charutos e cumprimentos. Abordado pela imprensa, disse que não falava com jornalistas há 9 anos, mas contou uma breve história de uma visita que fez a Fidel Castro logo depois de deixou a presidência.


Na sua despedida de Heráclito, Collor fez questão de dizer na frente de repórteres que prestava "absolutamente, integralmente e imensamente" sua solidariedade contra o procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, desafeto público de Collor e muito criticado nas rodas de conversas da noite pelos recentes pedidos de prisão que atingiu a cúpula do PMDB. O ex-presidente chegou a xingar o procurador e disse que tinha tanta certeza de que ele era um "filho da p..." que não tinha receio de falar novamente isso na tribuna do Senado. Recentemente, Collor teve o sexto inquérito aberto no âmbito da Operação Lava Jato.


Apesar de Collor explicitar a raiva de Janot, o nome que estava em todas as rodas de conversa do começo ao fim da festa era o de Machado. Muitos admitiram que a delação do ex-presidente da Transpetro está prejudicando o início do governo Temer e pode dificultar ainda mais. "Ele não pode colocar tudo no mesmo saco, ali tem culpados e inocentes. Os jornais colocam a foto dos políticos como se fossem todos procurados, criminosos", disse um deputado. "Acho que ele está pagando a conta do PT, pois no partido da presidente Dilma ele só chutou cachorro morto", afirmou outro parlamentar.


Em sua delação premiada na Lava Jato, Machado listou o nome de 20 políticos que teriam recebido propinas no esquema de corrupção na subsidiária da Petrobras e também o nome do presidente em exercício Michel Temer que, segundo o delator, teria pedido a ele doações para a campanha de Gabriel Chalita (PMDB) à Prefeitura de São Paulo em 2012. Segundo o delator, todos os políticos citados por ele "sabiam" do funcionamento do esquema de corrupção capitaneado por ele na estatal e, "embora a palavra propina não fosse dita, esses políticos sabiam, ao procurarem o depoente, não obteriam dele doação com recursos do próprio, enquanto pessoa física, nem da Transpetro, e sim de empresas que tinham relacionamento contratual com a Transpetro".


Além do nome de Heráclito e do agora ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, que acabou deixando o cargo após as revelações de Machado, o delator citou os deputados petistas Cândido Vaccarezza, Luis Sérgio, Edson Santos e a ex-ministra Ideli Salvatti. Todos negam as acusações.


Em um dos momentos em que parou de ironizar com a citação a seu nome, o anfitrião afirmou que esta semana vai tomar providências judiciais para questionar a fala de Machado. "Vou ao Ministério Público", disse. Heráclito lamentou ainda o fato de um projeto de lei de sua autoria, segundo o qual quem fizer delação premiada não pode alterar ou acrescentar informações após o primeiro depoimento, sob risco de perder os benefícios da colaboração, não ter sido apreciado. "Quando eu fiz o projeto da delação era justamente para punir o mentiroso", disse.


No fim da festa, o anfitrião fez um balanço do sucesso do encontro. Disse que muitas das comidas oferecidas eram cortesia e que "não fazia ideia" do preço da festa. E avisou que pretende, nos meses de junho, dividir as atenções com a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). Ambos afirmaram que o seu arraiá era uma continuação das festas o ex-senador e ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Jorge, pernambucano que nos últimos 30 anos reuniu políticos em festas de São João em Brasília.

Cadastre-se em nossa newsletter

De prenda nas barraquinhas que animaram as crianças e deixaram os pais falarem do "futuro do País", a família Fortes distribuiu coelhos, pintinhos, peixes e patos. "Os pais não gostam e antes de ir embora largam os bichinhos. Amanhã, os cachorros acordam doidos e temos que fazer alguma coisa para não vir a sociedade protetora dos animais", brincou Heráclito. De todos os bichanos entregues à nova geração o último a acabar foi o pato.


Últimas notícias

LONDRINA Previsão do Tempo

Portais

Anuncie

Outras empresas