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Câmara de Londrina

Dono da Shirogohan confirma propina e envolve Sidney

Fábio Cavazotti - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33

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O proprietário da boate erótica Shirogohan, Claudemir Mendes, confirmou em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o pagamento de propina a vereadores para obter a aprovação de uma lei municipal que liberou a construção de um motel anexo ao estabelecimento, às margens da BR-369, na saída para Ibiporã. De acordo com ele, participaram ativamente da cobrança de valores o presidente da Câmara Municipal, Sidney de Souza (PTB) e o ex-vereador Orlando Bonilha.

O depoimento, prestado em sigilo na última sexta-feira, ocorreu fora da sede do Gaeco. Questionado no início da noite de ontem, o promotor Cláudio Esteves confirmou o interrogatório, mas se recusou a comentar seu conteúdo.

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Durante a tarde, porém, fontes da Câmara Municipal e advogados ligados a vereadores já comentavam detalhes do depoimento. O proprietário da boate ainda contou ter negociado valores com Sidney - que se apresentou apenas como um intermediário do ‘pedágio’ exigido por colegas de plenário. Segundo Mendes, o presidente da Câmara dizia que não participaria da partilha do dinheiro - de R$ 15 mil no total.


O pagamento, teria sido feito em 2006, dentro da presidência da Câmara, na presença de Sidney e Bonilha. No depoimento, Mendes desmente a versão de que o repasse do dinheiro foi feito num churrasco em uma chácara.


O pagamento de propina pela Shirogohan foi confirmada por Bonilha em seus depoimentos ao Gaeco. Outros sete vereadores e ex-vereadores foram citados por ele na denúncia: Gláudio de Lima (PT), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Renato Lemes (PRB), Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC), Henrique Barros (sem partido) e Osvaldo Bergamin.


A aprovação da lei em favor da Shirogohan foi necessária para contornar impedimento legal à construção de motéis a menos de 3,5 km de áreas residenciais. O artifício foi autorizar apenas os estabelecimentos que já tivessem alvará para construção de hotéis em margens de rodovias - como era o caso da boate.


Quatro vereadores prestaram depoimento ontem ao delegado do Gaeco, Alan Flore. Vedoato disse que não recebeu propina e que votou a favor da lei em atendimento a um pedido de Sidney. Renato Araújo apresentou uma explicação inusitada. ‘Eu quis abrir um precedente para as igrejas evangélicas, que sofrem restrições de som e estacionamento. Depois de favorecer o pecado, por que não iam favorecer também a benção?’, questionou.

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Barros e Bergamin deixaram a sede do Gaeco sem falar com a imprensa. Sidney não foi encontrado.


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