Política

Paulo Roberto Costa volta a Curitiba para prestar depoimento sobre superfaturamento em refinaria

07 out 2014 às 15:18

Pela primeira vez, desde a deflagração da operação Lava Jato em março deste ano, os dois principais personagens envolvidos nas investigações do mega esquema de lavagem de dinheiro desbaratado pela Polícia Federal (PF) e pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) serão interrogados pela Justiça sobre os supostos desvios de recursos públicos de obras da Petrobras na refinaria Abreu e Lima, no município de Ipojuca, em Pernambuco.

Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal petrolífera que, inclusive já teve seu acordo de delação premiada homologado; e o doleiro Alberto Youssef, que já está prestando depoimentos em troca de uma possível redução de pena; serão ouvidos amanhã pelo juiz Sérgio Moro, na audiência de interrogatórios que será realizada na Justiça Federal do Paraná. Os desvios na construção da refinaria ocorreram por meio de contratos superfaturados, negociados com empresas que prestaram serviços à Petrobras entre 2009 e 2014. Segundo o MPF, a obra inicialmente orçada em R$ 2,5 bilhões custou mais de R$ 20 bilhões.


Como assinou a delação premiada, Paulo Roberto Costa terá que responder todas as perguntas referentes ao caso, entretanto, não poderá falar sobre a participação de políticos no esquema porque esta parte cabe ao STF, que fica responsável pela apuração de casos que envolvam pessoas com foro privilegiado. Por outro lado, é possível que o ex-diretor esclareça a atuação de grandes empreiteiras no esquema, assim como a participação de outros diretores da Petrobras.


Será a primeira vez que Costa vai falar diretamente com o juiz depois de ter fechado a delação. Ele participou de outras audiências da Lava Jato, mas sempre como ouvinte. Ele deixou a carceragem da PF em Curitiba e há uma semana foi para o Rio de Janeiro, onde cumpre prisão domiciliar. Está usando uma tornozeleira eletrônica fornecida para pessoas que cumprem pena em regime semiaberto, além de estar com segurança reforçada por agentes.


Já Alberto Youssef, que ainda está depondo na PF a fim de obter benefícios, deve permanecer calado durante o interrogatório até para não atrapalhar o processo que está em andamento. Ele já foi interrogado em outras duas ações penais da Lava Jato. Na primeira, referente ação penal que investiga a evasão fraudulenta de US$ 444,6 milhões mediante contratos de câmbio para pagamentos de importações fictícias, utilizando empresas de fachada ou em nome de pessoas interpostas, ele permaneceu calado. Na segunda audiência o doleiro negou envolvimento em lavagem de dinheiro proveniente de tráfico internacional de drogas. Nesta segunda denúncia, inclusive, o MPF pediu a absolvição do londrinense por falta de provas. Esta ação penal está em fase de alegações finais e deve ter uma sentença do juiz até a metade do próximo mês.

Outros oito réus também serão interrogados amanhã: Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Antonio Almeida da Silva, Waldomiro de Oliveira, Murilo Tena Barrios, Márcio Andrade Bonilho, Pedro Argesi Junior e Esdra de Arantes Ferreira.


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