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Pivô de escândalo tinha cartão corporativo de Londrina

Lucas Emanuel Andrade - Redação Bonde
04 dez 2012 às 15:02

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DENISE ANDRADE/ESTADÃO CONTEÚD
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O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) iniciou na tarde desta terça-feira (4) a coleta de assinaturas para a criação de uma Comisão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias sobre a venda de pareceres fraudulentos por autoridades do governo federal. Durante a operação "Porto Seguro", a Polícia Federal prendeu seis pessoas e indiciou mais 12, acusadas de fraudar pareceres em pelo menos sete órgãos federais.

Entre os indiciados, está a Chefe de Gabinete do Escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary de Noronha. Na última semana, durante discurso no Senado, Alvaro Dias apontou Rosemary como "a peça mais vistosa de mais esta rede de corrupção instalada no coração do poder".


O senador paranaense lembrou que Rosemary esteve envolvida em outro escândalo, o dos cartões corporativos. Em 2008, uma CPI foi criada para investigar todos os gastos efetuados com a utilização do Cartão de Crédito Corporativo do Governo Federal, desde a sua criação em 2001.


Dias lembrou que durante os trabalhos da CPI dos Cartões Corporativos, ele apresentou um requerimento de informações para ter acesso a detalhes dos gastos do escritório da Presidência da República na capital paulista. Segundo o paranaense, já havia então suspeição em relação à conduta de Rosemary. Por conta disso, Dias revelou ter protocolado um requerimento para a convocação dela.


Além de ouvi-la a respeito de compra de bens e serviços supérfluos ou fora do exercício funcional dos gastos, Alvaro Dias queria outro esclarecimento. Segundo ele, Rosemary teria colocado, de forma suspeita, como seu endereço residencial, a sede da Sociedade Rural do Norte do Paraná, em Londrina.


"A dona Rosemary colocou como seu endereço residencial no cartão corporativo a avenida Tiradentes nº 6.275 em Londrina, no Paraná, local da sede da Sociedade Rural do Norte do Paraná, o que indicaria uma conduta de má-fé. Portanto, o endereço da senhora Rosemary, para efeito do seu cartão corporativo, era a sede da Sociedade Rural do Norte do Paraná. Por essa razão, apresentei este requerimento, que não foi, evidentemente, aprovado, porque essa senhora sempre teve uma blindagem singular, como singular é a sua relação de intimidade com o poder no Brasil nesses últimos anos".


Em entrevista ao Portal Bonde, Alvaro Dias adiantou que, com a revelação do novo escândalo, ainda pretende esclarecer o fato. Ele aponta novamente a blindagem da base governista como empecilho para ouvir Rosemary.


"Óbvio que ela não morava na sede da Sociedade Rural e nem tinha qualquer relação com Londrina. Não sabemos também se colocaram o endereço aleatoriamente e aí deu-se a coincidência. Mas estamos votando requerimentos no Senado para convocar ela para prestar depoimentos. Se ela for chamada a depor, vamos tentar descobrir o motivo do endereço residencial do cartão corporativo dela ser de Londrina".



"CPI da Rosemary" não deve sair do papel



Após reunião com os membros do PSDB e do DEM, o senador Alvaro Dias começou a colher as assinaturas para abertura da "CPI da Rosemary". O parlamentar paranaense, no entanto, adiantou que a investigação não deve sair do papel. O requerimento para a criação de CPI na Casa exige a assinatura de 27 senadores.

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"Não temos o número suficiente de parlamentares, então é difícil ser aberta. Porém, o pedido de abertura de CPI mostra de que lado cada um está, quem na verdade quer que os fatos sejam esclarecidos".


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