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Simepar lança documentário sobre tornado em Rio Bonito do Iguaçu

07 nov 2026 às 10:02

Um ano após a ocorrência de três tornados no Paraná, o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) lançou um documentário que reúne os bastidores do trabalho realizado pelos meteorologistas antes, durante e depois dos fenômenos. Intitulado "Além do tornado: uma análise meteorológica dos eventos de novembro de 2025 no Paraná", o vídeo foi publicado nesta sexta-feira (6), no canal da instituição no YouTube.


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O episódio mais devastador ocorreu em Rio Bonito do Iguaçu, na região Centro-Sul do Estado, onde um tornado de categoria F4 atingiu o município e destruiu construções e estruturas. Na ocasião, outros dois tornados também foram registrados no Paraná. A equipe do Simepar acompanhou as tempestades por meio dos sistemas de monitoramento e já tinha conhecimento da gravidade do cenário previsto.


O documentário mostra as etapas do trabalho desenvolvido pela instituição, desde a emissão de avisos meteorológicos e alertas à população até a classificação dos tornados, as análises em campo e o estudo de mapeamentos aéreos. O processo resultou em um laudo técnico com mais de 130 páginas e envolveu profissionais das áreas de meteorologia, geointeligência, infraestrutura e tecnologia da informação.


Segundo a gerente de meteorologia do Simepar, Sheila Paz, os acontecimentos levaram à revisão dos procedimentos de gestão de risco e comunicação. A instituição também aprimorou sistemas de análise de dados de radares, satélites e estações meteorológicas. As mudanças já foram aplicadas em 2026, ano em que o órgão classificou 15 tornados no Paraná, sendo 13 supercelulares e dois do tipo landspout.


Aprimoramento do monitoramento

Após os eventos de novembro de 2025, profissionais do Simepar também buscaram ampliar os conhecimentos sobre tempestades severas. Neste ano, Sheila Paz e o coordenador de operações da instituição, Marco Jusevicius, acompanhados de representantes da Defesa Civil do Paraná, estiveram em Oklahoma, nos Estados Unidos, para conhecer métodos de monitoramento de tornados utilizados internacionalmente.


A classificação dos fenômenos também tem importância para além da meteorologia. Os levantamentos ajudam municípios a buscar recursos para reconstrução, contribuem para a elaboração de políticas públicas e fornecem informações para pesquisas e estudos climatológicos.


Os tornados de novembro de 2025

Os três tornados registrados em 7 de novembro de 2025 foram provocados por duas supercélulas, tempestades de forte intensidade caracterizadas pela rotação em torno de seu eixo vertical. As condições meteorológicas foram favorecidas pelo ramo frio de um ciclone extratropical formado sobre o Sul do Brasil, além da elevada instabilidade atmosférica e do transporte de ar quente e úmido.


O primeiro tornado percorreu 75 quilômetros entre Quedas do Iguaçu e Cantagalo. Em Rio Bonito do Iguaçu, onde provocou os maiores estragos, a faixa de destruição chegou a 3.250 metros de largura. O fenômeno foi classificado como F4 na Escala Fujita, que vai de zero a cinco. Entre os danos registrados estavam árvores com a casca arrancada e uma colheitadeira de 16 toneladas arrastada pela força dos ventos.


A mesma supercélula originou um segundo tornado, que percorreu 44 quilômetros entre Candói e o distrito de Entre Rios, em Guarapuava. O fenômeno começou como F2, mas atingiu a categoria F4 ao chegar a Entre Rios, onde contêineres foram arremessados a 150 metros de distância e casas de alvenaria foram completamente destruídas.


O terceiro tornado foi registrado em Turvo, a partir de uma segunda supercélula. Com percurso de 12 quilômetros, foi classificado como F2 e provocou danos em áreas de mata e construções na região da Cachoeira dos Turcos.


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