Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) aprovaram o início de uma greve nacional por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (11). A decisão foi confirmada pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) após assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10) encerrarem o ciclo de negociações sem acordo entre as partes.
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O impasse persiste mesmo após sucessivas rodadas de conversa e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O principal ponto de discórdia entre a categoria e a direção estatal envolve as propostas de alteração no plano de saúde dos funcionários, pauta considerada inegociável pelos ecetistas.
A greve eclode em meio a um severo quadro de instabilidade orçamentária da estatal, que acumula 15 trimestres consecutivos de saldo negativo. Apenas no primeiro semestre de 2026, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 5,6 bilhões, demonstrando uma ligeira atenuação no segundo trimestre em comparação com o rombo recorde do início do ano.
Para tentar reequilibrar o caixa, a companhia aguarda a liberação de um empréstimo de R$ 7 bilhões até 15 de setembro, articulado junto a um consórcio financeiro internacional composto por instituições como Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e o brasileiro Banrisul.
E como ficam as entregas dos Correios com a greve?
Ao todo, entidades de dezenas de bases regionais já declararam adesão ao movimento ou agendaram votações decisivas. A lista oficial de sindicatos engajados inclui SINTECT-AL, SINTECT-AM, SINTECT-AP, SINTECT-BA, SINTECT-CAS, SINTECT-CE, SINTECT-DF, SINTECT-ES, SINTECT-GO, SINTECT-JFA, SINTECT-MG, SINTECT-MT, SINTECT-RO, SINCORT-PA, SINTECT-PB, SINTECT-PE, SINTECT-PI, SINTCOM-PR, SINTECT-RN, SINTECT-RR, SINTECT-RPO, SINTECT-RS, SINTECT-SC, SINTECT-SE, SINTECT-SJO, SINTECT-SMA, SINTECT-TO, SINTECT-URA, SINTECT-VP, SINDECTEB, SINTECT-MA, SINTECT-MS, SINTECT-RJ, SINTECT-Santos e SINTECT-SP, além do SINTECT-AC, que mantém assembleia prevista para hoje.
E como ficam as entregas? Bem, até as 10h20 desta sexta, a direção central dos Correios não havia emitido posicionamento oficial sobre o impacto operacional da paralisação. A empresa busca alternativas operacionais no momento em que só o atendimento administrativo interno segue funcionando em regiões como a Paraíba, de acordo com o Sintect-PB.
Diante do racha nas tratativas salariais e do acúmulo de perdas financeiras da estatal, a continuidade das entregas no país fica na dependência de novos desdobramentos na Justiça do Trabalho. A expectativa do setor produtivo e da população é que o Tribunal Superior do Trabalho convoque nova audiência de conciliação emergencial para determinar os percentuais mínimos de contingente em atividade e avaliar o reajuste pleiteado pelos trabalhadores.