Já aconteceu a primeira polêmica do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, evento que começou ontem na capital federal. O diretor Adirley Queirós enviou uma carta para a organização do festival pedindo a retirada seu longa A Cidade É uma Só? da Mostra Primeiros Filmes.
A produção não estava na disputa pelo troféu Candango, mas, se continuasse na programação, poderia concorrer ao Troféu Câmara Legislativa do DF. A carta de Queirós não dá uma justificativa clara, destacando: "Os motivos já estão expostos durante todo esse ano e seria redundância dizer o que todo mundo sabe, comenta, porém silencia."
O Festival de Brasília sofreu uma série de modificações em 2011, sendo a principal delas o fim da exigência do ineditismo para integrar a grade. Tal mudança foi muito criticada, principalmente pelo fato de dar ao evento uma cara de algo velho, uma vez que boa parte dos filmes selecionados já foram vistos em outras mostras.
Outra situação que parece ter motivado a decisão de Adirley Queirós foi programação dos seminários. Foram convidados para as mesas realizadores ligados a um cinema mais tradicional e quase todos radicados no eixo Rio-São Paulo, como Roberto Farias, Mariza Leão, Diler Trindade e Cacá Diegues. Também pegou muito mal o fato do Festival ter divulgado em um release oficial que o ex ministro José Dirceu seria uma das presenças mais aguardadas nos seminários.
"Fazemos filmes não só para serem feitos. Fazemos filmes buscando outra perspectiva estética e política (não partidária, e sim política). Fazemos filmes para que eles sejam, no mínimo, um pequeno reflexo da nossa condição cultural, social e econômica. Fazemos filmes do local onde estamos, do nosso local de fala. Ir contra esses princípios mínimos seria uma incoerência. Exibir o filme neste Festival, neste momento que se configura, seria legitimar posturas arrogantes, autoritárias e, acima de tudo, reacionárias. Aquilo que o festival está chamando de avanços, julgo reacionários: Deslegitimar a classe cinematográfica local; Desconsiderar o nosso processo histórico por salas de cinema em CEILÂNDIA( falo aqui pela CEICINE); Fechar as portas do Festival a um outro tipo de cinema que cada dia é mais vigoroso no Brasil e no mundo ; Transformar o festival em um pastiche, em um moribundo com cara de qualquer coisa. Isso são avanços?", atacou o cineasta em sua carta, também publicada em sua página no Facebook.