Relegada a um canto escondido da videolocadora ou da banca de revista e apreciada em passeios furtivos aos cinemas do centro da cidade ou na intimidade da tela do computador, a pornografia agora é revelada por um viés artístico na primeira edição do Pop Porn Festival, evento que começa nesta quinta-feira em São Paulo e que reúne cinema, artes plásticas, literatura, debates, performances e festas para colocar o assunto em evidência.
"Acho que discutir sexo é sempre muito saudável. É uma coisa que sempre foi muito associada ao pecado, muito reprimida em várias sociedades e isso gera muita ansiedade", comenta a jornalista Suzy Capó, uma das organizadoras do evento.
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Ex-curadora do Festival Mix Brasil, que anualmente apresenta filmes ligados à diversidade sexual, Suzy teve a ideia de fazer esse festival, que pretende não só falar sobre sexo mas mostrá-lo, após conhecer, na capital alemã, o Pornfilmfestival Berlin, evento cinematográfico que, na avaliação dela, "limpa a barra" da pornografia, gerando um impacto positivo na discussão das práticas sexuais.
"O espaço tradicional da pornografia, principalmente do audiovisual, está localizado numa indústria dentro de um contexto de consumo massivo, que está associado a discursos hegemônicos, a estrutura de poder e de opressão contra a mulher, esse festival alemão desloca a exibição dessa produção para um outro espaço, muito mais interessante", analisa Suzy.
Também com a intenção de gerar essas reflexões por aqui, a parte cinematográfica do Pop Porn Festival conta com uma seleção de curtas e longas-metragens que vão desde clássicos, passando por aqueles com estrutura tradicional do filme pornô e chegando aos exemplares mais experimentais.
Um destaque é a exibição, na sexta-feira, dia 27, no Espaço Unibanco de Cinema, de "Último Tango em Paris" (1972), do cineasta italiano Bernardo Bertolucci, e estrelado por Marlon Brando e Maria Schneider (atriz morta em fevereiro, aos 58 anos). "Na década de 1970, tinha muito isso da pornografia flertando com o filme de arte e o filme de arte flertando com a pornografia", diz Suzy. Outro exemplo desse fenômeno é "O Diabo na Carne de Miss Jones" (1973), programado para o dia 2 de junho, no Cine D. José. "É um pornozão, mas que começa com um suicídio."