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Pirataria faz locadoras 'desaparecerem' em Londrina

Auber Silva - Redação Bonde
21 jul 2011 às 14:44

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Reprodução
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Não eram raras as vezes em que amigos, namorados ou até mesmo familiares brigavam pelo direito de escolher qual filme assistiriam em casa. O hábito de locar uma fita poderia ser considerado como um rito, um momento de encontro cultural entre pessoas que estariam dispostas a compartilhar a assistência a uma obra cinematográfica. Substituindo o cinema pelas facilidades econômicas e logísticas, as locadoras floresceram na era do VHS e no início do DVD.

Mas a popularização da então incipiente tecnologia começou a mostrar as suas garras quando o custo para copiar um longa e fornecê-lo deliberadamente caiu consideravelmente. Computadores de alta geração cada vez mais acessíveis, clandestinidade e conivência do público foram fatores que, juntos, fizeram com que uma nova indústria crescesse: a da pirataria.

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José Adriano Ripoli entrou para o ramo das locadoras ainda em 1987, na cidade de Andirá. À época, a pirataria - de fitas VHS - era forte, mas não chegava a incomodar os empresários. Hoje, entretanto, a concorrência com os vendedores de cópias ''genéricas'' atrapalha - e muito - o setor. ''A pirataria está em todo lugar. Não é só em Londrina. Aqui está em uma proporção maior pelo fato da cidade ser maior. Mas isso acontece em todos os lugares. É geral, se espalhou'', avalia.


Ripoli lembra que até 2006 - ano considerado por ele como um marco negativo para o ramo - Londrina tinha cerca de 115 locadoras. Além das grandes empresas e franquias, era comum encontrar pelo menos uma loja em cada bairro da cidade, com acervos que, se não eram completos, agradavam a maioria dos clientes. Cinco anos depois, o comerciante acredita que não exista mais que 10% daquele número de estabelecimentos.


A saída, garante o empresário que mantém uma loja de venda de DVDs originais na rua Pará e locadoras em Andirá, Bandeirantes e Cornélio Procópio, é a diversificação dos negócios. ''Nestas cidades eu tenho lojas mescladas. Se eu ficasse só em locadora eu acho que eu não teria sobrevivido não. Então eu tenho várias coisas, conveniência, lan house, jogos eletrônicos. Eu agrupei muita coisa. Quem fica só com locadora não sobrevive. É cruel'', revela Ripoli.


Apesar de creditar em parte à pirataria a falência da maioria das empresas, Ripoli garante que ela não é o único fator. ''Tem também o total descaso das distribuidoras. O pessoal reclama muito da pirataria, mas as distribuidoras nos largaram na mão. Como locadoras, nós tínhamos uma parcela do ganho deles. Eu nunca imaginei que eles dariam as costas para nós'', destaca, citando que as distribuidoras passaram a concentrar sua atenção na venda de DVDs em grande escala para as lojas de varejo.


Odival Benedito de Matos, proprietário da Delta Vídeo, uma das locadoras mais antigas da cidade, com mais de 20 anos de funcionamento, pensa um pouco diferente. Para ele, a pirataria é o fator preponderante para a crise do setor. ''Londrina é um centro de pirataria. As autoridades têm que fiscalizar os lugares que vendem produtos falsificados'', dispara. Apesar de tudo, ele é descrente quanto à validade deste tipo de protesto. ''Tudo o que a gente poderia fazer já foi feito. Não adianta ficar dando murro em ponta de faca'', resigna-se.

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Mesmo sem apontar números, Matos garante que a ilegalidade prejudicou o seu negócio. Ripoli também conclui neste sentido. ''Sendo sincero, eu estou sobrevivendo aqui a duras penas. É a realidade mesmo. Não posso depender exclusivamente da venda dos filmes originais. Uma minoria vem atrás da qualidade, o pessoal quer mesmo é preço'', arremata.


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