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O texto de Clarice

05 jul 2004 às 11:00
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O texto de Clarice me caiu como uma luva. Era exatamente esse incentivo que eu precisava dia desses ao estar em São Paulo para ver alguns desfiles da Semana de Moda São Paulo Fashion Week.
Fui viajar com algumas verdades me martelando a cabeça. Limitação pura. O momento não era nem para viagens. Insisti. Saí de casa correndo. Quase perdi o avião. Esbaforida desembarquei e fui direto para um whorkshop sobre moda, um dos meus assuntos preferidos. Adoro a efemeridade das roupas, as entrelinhas por trás delas e, principalmente, ver como quem faz moda está se comportando no momento.
Por isso ao chegar na Casa Moda, showroom que, vende entre outras marcas, as roupas de dois estilistas curitibanos, os irmãos Karina e Jefferson Kulig tive a certeza de que deveria ter ido mesmo. Que mesmo todas as verdades que eu estava vendo (e que estavam atravancando meus passos) não serviam. Teria que inventar para sair de Curitiba. Ainda bem que fiz. Clarice me salvou logo na chegada, quando recebi o convite em mãos para a apresentação de Kulig e li sua frase fiquei convencida.

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SOBRE KARINA E JEFFERSON

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Ela é dedicada a roupas de festas. Vende mais em outros estados brasileiros do que no Paraná. Ele é o cientista da moda. Suas roupas são desenvolvidas para moldar o corpo da mulher. Kulig estuda muito. Este ano foi longe para desenvolver sua coleção. Stanley Kubrick, a frase de Clarice já no convite e as modelos na passarela vestindo camisetas com escritos como: "é melhor desintegrar um átomo do que acabar com o preconceito". Maravilha. É a moda deixando de ser fútil. Instigante. Como tudo deveria ser. Coisa mais chata o óbvio. O claro. O mediano. Jefferson às vezes é odiado pela platéia que assiste seus desfiles. Ele quase nem aparece no final. Não gosta de holofotes. Prefere estudar e criar roupas que façam a diferença no corpo de quem as usa e não que apareçam mais que a personalidade que a carrega.
Segundo João Braga, historiador e estilista de moda que esteve em Curitiba semana passada para falar sobre História da Moda, Kulig deveria participar de uma Bienal Internacional de Moda, tamanha a importância que seus conceitos de moda têm.

SOBRE COMO POEMAS PODEM MUDAR A NOSSA VIDA
A frase de Clarice mudou meu momento pré-maratona da moda em São Paulo. Me senti menos fútil ao chegar lá. Me senti menos fútil ao conhecer Consuelo Pascolato, filha de Contanza que nos deu uma palestra sobre tendências tão descontraída.
Sem medo e frescuras, Consuelo brincou com uma nova verdade de sua vida: a estar separada. Disse que o marido, o ex saiu de moda. Ótimo. Tem muita gente fora de moda mesmo. Gaveta neles e nelas e em todo mundo que não pára um tempinho para mergulhar nos poemas de Clarice ou de Drummond ou ainda de Fernando Pessoa ou qualquer ser que faça da literatura um objetivo de vida.


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