Para quem conhece alguém que, há gerações, tem a sustentabilidade diretamente relacionado ao meio rural, pode facilmente lembrar que os filhos dos produtores e criadores antigamente nasciam nas fazendas, cresciam alí e, era natural que seguissem o legado dos pais. A missão não parecia uma tarefa complicada e era uma decisão que não causava nenhuma grande discussão.
As terras e os rebanhos eram simplesmente divididos entre os herdeiros, e cada um seguia a sua vida. Hoje, no entanto, muitas fazendas são grandes empresas rurais, detêm tecnologia e patrimônio genético – ativos difíceis de serem divididos. E, além disso, nem todos novos herdeiros querem acompanhar e trabalhar no cotidiano de uma fazenda. Parte da juventude que nasce nesse meio também lança mão de outras escolhas profissionais que em nada têm haver com os ramos de engenharia agrícola, agronomia, veterinária, zootecnia ou afins.
Nesse contexto, o tema da sucessão, que já há muito é alvo de preocupações e discussões dentro das empresas familiares de outros setores da economia, bateu à porta do agronegócio. O assunto ainda é tabu para alguns. Mas a evolução já é latente. A informação é de José Ney Irgon Vinhas, agrônomo pós-graduado em Administração Rural e Gestão Empresarial e, sócio-diretor da Safras & Cifras, empresa parceira do Grupo Santa Zélia.
Sempre preocupado com a qualidade da informação disseminada ao seu público-alvo e com a complementariedade de competências de seu quadro funcional, o diretor-presidente do Grupo, Teófilo Pereira dos Santos Netos considera o tema relevante e de plausível reflexão. Para tanto, traz, na voz da parceira Safras & Sifras, as principais linhas de discussão acerca do tema.
Conforme Vinhas, a Safras & Cifras trata a sucessão não como um assunto relacionado à morte, mas à continuidade do negócio familiar. "Nossa visão é de que nenhum empresário monta e faz crescer um negócio visando somente a sua geração, mas sim para várias gerações", simplifica o especialista.
Ele conta que a sucessão da empresa rural implica em sucessão ou transferência do patrimônio propriamente dito, assim como a transferência da gestão do negócio. Vinhas revela que, neste sentido, a Safras & Sifras trata a empresa rural de duas formas: a) Patrimônio: Terra, benfeitorias e semoventes serão de todos os sucessores de forma equitativa; b) Negócio: A exploração será de todos os sucessores de forma não equitativa. Isto é, aqueles que dedicam a sua carreira para desenvolver o negócio familiar poderão ter uma participação maior em detrimento daquele filho que desenvolveu sua carreira em outra profissão.
Segundo o agrônomo, esta organização deve ser efetivada com os pais ainda vivos. "A medida evita conflito entre os herdeiros", pondera Vinhas que salienta, contudo, que são vários os atendimentos da empresa a situações de pós-morte. Já acerca dos complicadores, Vinhas afirma que, no que diz respeito à transferência do patrimônio, o maior complicador, além dos custos de transmissão que podem variar de 12% a 15% do valor do patrimônio a ser transmitido, existem as questões relacionadas com a localização das frações de cada um dos herdeiros, do sistema de irrigação, da estrutura de secagem/armazenagem, da sede, entre outros, além de como compensar isto entre os herdeiros. Para o agrônomo outro ponto importante é o fato de dividir a propriedade, o que pode inviabilizar o processo produtivo (negócio), em função da escala (tamanho) de produção.
Ele revela, ainda, que acerca da transferência do negócio (exploração), o maior complicador é fazer com que o administrador (normalmente um dos filhos) entenda que ele administra um negócio de todos e que deve se comportar como um gestor, devendo obrigações a terceiros (sócios de um negócio). Outro fato importante a ser observado é definir a remuneração fixa do administrador e dos pais (como donos do patrimônio), além da forma de distribuição dos resultados.
Ele enfatiza que para se manter um negócio de forma única, geração após geração, o planejamento, a profissionalização e a remuneração dos envolvidos são fatores preponderantes. "A sucessão não preparada pode gerar custos enormes, e que acabam consumindo os negócios", revela.
TIRA-TEIMA:
Em teoria, as atividades dessa área compreendem a definição e a implementação de estruturas jurídicas que viabilizam e facilitam a transferência de controle acionário ou patrimônio familiar, a elaboração de testamentos, acordo entre herdeiros e disposição de bens etc. Mas o que o empresário rural quer saber é quais são as vantagens. E, Vinhas responde:
· "As vantagens são inúmeras, mas citamos a redução nos custos de transferência (12% a 15% do valor do patrimônio), redução nos conflitos familiares, manutenção da escala de produção, manutenção da competitividade da empresa, definição das regras de forma clara (administrador, remunerações, distribuição de resultados etc)".
ATENÇÃO:
· O fato de planejar a sucessão não implica estar atraindo a morte como alguns pensam. "Para os mais céticos, deve-se lembrar que a única coisa certa na vida desde o dia em que nascemos é que um dia iremos morrer. Portanto não será o fato de planejarmos a sucessão que estaremos antecipando ou postergando esta data", ressalta Vinhas.
· Todo o administrador rural tem que ter em mente que administra um negócio de vários e que cada um tem que ter as suas necessidades pessoais e familiares satisfeitas, dentro da capacidade de produção e de resultado do negócio. "Se todos os participantes do negócio familiar entenderem isto, certamente teremos um negócio por várias gerações", finaliza o agrônomo.
SUCESSÃO NA SZ:
Para quem não sabe, o Grupo Santa Zélia é um verdadeiro exemplo de empresa familiar de sucesso. Geração após geração, o Grupo Santa Zélia ganhou novas linhas de atuação e força no mercado. Sempre mantendo a tradição familiar.
O Grupo teve sua fundação no final do século XIX, atuando especificamente no setor pecuário. A partir de sua fundação até hoje, teve os seguintes diretores que lutaram pelo desenvolvimento da empresa: Teófilo Pereira dos Santos, Otaviano Pereira dos Santos e Teófilo Pereira dos Santos Filho, Teófilo Antônio Pereira e Teófilo Pereira dos Santos Neto.
O atual diretor do Grupo, Teófilo Pereira dos Santos Neto, agregou novas atividades sem fugir dos propósitos de trabalho iniciados pelos antecessores. Daqui alguns anos, será a vez de Fernando, filho dele, ingressar na SZ, seja de forma profissional ou sentimental.