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Perigos do excesso

Ditadura da magreza: era digital produz imagens irreais

Redação Bonde
06 mar 2010 às 14:45
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"Não sou contra a manipulação digital, mas contra o exagero. É comum encontrarmos em editoriais de moda aparentes supermulheres com uma pele de boneca de cera", admite o fotógrafo Marcus Steinmeyer (www.mybeauty.com.br), especialista em ensaios sensuais de mulheres comuns, segmento que mais cresce nos últimos meses no mercado da fotografia.

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Que atire a primeira pedra o ser humano que nunca se imaginou numa capa de revista ao visualizar uma celebridade no auge de sua forma física estampando um editorial. Cada vez mais, homens e mulheres têm procurado soluções para atingirem um padrão irreal de beleza, ou melhor, um padrão inatingível.

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A ditadura da magreza, que durante anos reuniu adeptos no mundo da moda, agora tem colecionado "inimigos". Já são muitas as iniciativas contra essa deturpação da imagem que, em muitos casos, tem contribuído diretamente para o aumento no número de jovens com bulimia, anorexia, depressão, além do aumento no número de intervenções cirúrgicas desnecessárias.


Está se tornando muito frequente na mídia "denúncias" de gafes produzidas por um dos programas de correções de foto digital mais comuns no mundo, o Photoshop. São desde senhoras de 60 anos com pele de 25, mulheres extremamente magras e ainda sim, curvilíneas, até aberrações como montagens de um rosto de celebridade em um corpo de modelo e moças tão esqueléticas que acabam com medidas desproporcionais, como a largura da cabeça ser maior que a dos quadris. Nem mesmo os mais consagrados cirurgiões plásticos seriam capazes de operar tais milagres.


Muitos especialistas alertam para os efeitos desse padrão inatingível, criado, principalmente, depois do desenvolvimento da fotografia digital. Psiquiatras alertam para os perigos na auto-estima, principalmente das mulheres. Anúncios de cremes milagrosos ou de receitas infalíveis de dieta podem aumentar a percepção negativa que as mulheres têm do envelhecimento e de sua auto-imagem.

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Já os profissionais da fotografia, além de demonstrarem preocupação com a saúde, alertam para a inserção de profissionais despreparados no mercado que corrigem os defeitos técnicos da fotografia com os filtros do Photoshop. O fotógrafo Marcus Steinmeyer não condena o uso do programa para reparar pequenas imperfeições, mas alerta que as características da pessoa devem permanecer na imagem. "Meu trabalho é fazer fotos sensuais de mulheres comuns que fogem deste padrão. Faço o uso do Photoshop na busca por uma estética agradável e que deixe a mulher feliz. Retiro estrias, espinhas, celulite e cicatrizes, mas quando ela se olha na foto, ainda se vê", explica Steinmeyer.


Para o especialista, além do compromisso com a naturalidade, os homens preferem as pequenas imperfeições das mulheres reais do que as modelos plastificadas e de mesma medida. "Contrariando o pensamento das mulheres, nós gostamos delas assim, comuns, e não das modelos que parecem bonecas com vida. Gostamos desses pequenos ‘defeitos', essas imperfeições que dão charme e sensualidade feminina", finaliza.


O mercado da magreza


O mercado de cosméticos, perfumaria e higiene cresceu 13,5% em quatro anos no Brasil. Em 2008, movimentou R$ 21,6 bilhões. Já o número de cirurgias plásticas realizadas no país também bate o recorde a cada ano. Foram cerca de 630 mil em 2008. Uma pesquisa feita com 3.400 entrevistadas, com idade entre 15 e 64 anos, em dez países (inclusive o Brasil), em 2004, aponta para o espantoso resultado de que nove em cada dez mulheres querem mudar algum aspecto de sua aparência. Entre as brasileiras, 62% consideram difícil se sentir belas diante das fotos das modelos e celebridades estampadas em campanhas publicitárias e revistas.


Os "inimigos"


O Parlamento espanhol aprovou uma lei que proíbe a exibição de anúncios na tevê que "exaltam o culto ao corpo" das 6h às 22h. Os alvos são produtos de emagrecimento, beleza e cirurgias. Na França, sob recomendação do Ministério Público, os legisladores estão estudando um projeto de lei inovador. As campanhas publicitárias e os editoriais de moda veiculadas deverão informar o público quando as imagens tiverem sido manipuladas digitalmente. Caso a lei seja desrespeitada, a empresa responsável fica submetida a multas.

O fotógrafo alemão, Peter Lindbergh, iniciou uma campanha pelo fim da manipulação excessiva de fotos no Photoshop. Ele tem produzido editorias com modelos e atrizes como Claudia Schieffer e Monica Belucci, sem nenhum tratamento no software. Os trabalhos, publicados em revistas de grande circulação como a Harper`s Bazar e Elle, tiveram uma grande aceitação não só por parte dos editores como também das leitoras.


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