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Modernas ou românticas?

Escritora aponta incoerências em leitoras de "50 Tons"

Redação Bonde*
11 dez 2012 às 08:39
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A grande repercussão da trilogia "Cinquenta Tons de Cinza", principalmente no público feminino, nos traz algumas reflexões. O que chama tanto atenção na obra?

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O drama que já é conhecido como campeão de leitura nos transportes públicos, demonstra que as mulheres já não se sentem intimidadas diante de uma história erótica. Muito pelo contrário, são elas as maiores divulgadoras, indicando a leitura em qualquer lugar e sem qualquer pudor. O que poderia nos remeter à simples conclusão de que, depois de tantos avanços, a mulher se sente mais bem resolvida sexualmente e goza de liberdade para manifestar isso.

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Entretanto, o que chama atenção é a ambiguidade dos fatos, pois, essa mesma mulher que se considera moderna está encantada com um novo "conto de fadas" ou "estória da carochinha".


Vamos aos fatos: a figura de Christian Grey é o príncipe encantado da Disney que une tudo o que uma princesa almeja: carinho, ousadia, respeito, sexualidade e tudo isso com uma boa dose de malícia e muito; muito dinheiro! O príncipe não vem só com o castelo, também tem avião, helicóptero, planador, vários carros maravilhosos e sabe-se mais o quê. E ainda é extremamente generoso, seus presentes desafiam as tecnologias de ponta, além de joias caríssimas, carros e tudo o que se pode sonhar, ou mesmo que nunca se almejou como é o caso da ingênua Anastácia, o protótipo da plebeia que vira princesa.


Grey parece ser uma compilação de tudo o que muitas mulheres esperam em um homem, ele é perfeito até mesmo em sua personalidade violenta e sádica, afinal existe um passado que justifica sua tendência a desejar uma submissa e não uma mulher de personalidade. Nesse ponto ainda é possível perceber mais uma satisfação feminina: a vontade de "salvar" o seu homem, de transformá-lo no que ela deseja. É realmente sedutor, porém totalmente irracional.

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Que Homem poderia reunir tanta perfeição e que mulher teria o dom de transformá-lo a seu bel prazer? Isso é preocupante, afinal, estamos falando de mulheres modernas, seguras e resolvidas, mas, em contrapartida, românticas e aspirantes de princesas. Quanta incoerência!


Mas sempre se pode lançar mão do bom senso, talvez assim seja possível evidenciar que na prática a vida corre por outro curso e que assim como podemos encarar com normalidade o nosso erotismo, também podemos nos abster de exigir do sexo oposto uma perfeição que não lhes cabe.


Afinal, em discordância com a trama, o principal objetivo dos casais não é satisfazer um ao outro e sim crescer juntos, como seres humanos inteiros que são e, por consequência, encontrar a satisfação mutua.


Também se pode esperar que essa leitura desencadeie um hábito e tantas mulheres que não são dadas a prática possam pegar gosto e buscar textos mais ricos literalmente, com conteúdos mais condizentes com a realidade e que, dessa forma, acrescente e faça diferença em suas vidas. Sempre há essa chance, não é mesmo?

*Por Suely Buriasco, educadora e mediadora de conflitos, autora dos livros Uma Fênix em Praga (Novo Século) e Mediando Conflitos no Relacionamento a Dois (Novo Século).


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