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Sociedade

Mulher moderna vive novas conquistas e velhos dilemas

Herika Fondazzi - Equipe da Folha
31 dez 1969 às 21:33
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Houve um tempo em que as mulheres eram submissas aos homens e viviam suas vidas às voltas com os filhos e os afazeres domésticos. Então vieram as feministas e todos os valores se alteraram: elas exigiram direitos iguais, chegaram ao mercado de trabalho e se tornaram independentes. Agora vivem o dilema entre esses dois mundos: o desejo de ser mãe e esposa e a vontade de conseguir sucesso na carreira.

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Na semana que se comemora o Dia da Mulher, a socióloga Maria Lucia Victor Barbosa fala sobre os conflitos que afligem a mulher moderna e o que isso reflete na nossa sociedade.

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A senhora acha que a mulher vive hoje sua melhor fase dentro da sociedade?


Já diz o ditado: 'Eu era feliz e não sabia'. Tem sempre essa questão que nós jogamos para nós mesmos. Não é saudosismo, mas existiram coisas muito boas no passado, assim como existem pontos positivos atualmente. Dizer que nós mulheres chegamos à perfeição no estilo de vida, acho que é um exagero. Cada fase tem coisas positivas e negativas.


O que a senhora destaca como pontos positivos do passado que foram perdidos?

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Coisas que as mulheres sentem falta, apesar da emancipação, já que a essência continua a mesma, o desejo de carinho, de amor, o romantismo. Tenho até dó das gerações mais novas porque nós passamos de um período de falta de liberdade para a liberalidade total. No passado as ligações de família eram mais robustas. A pessoa sentia mais segurança apesar das repressões. A família era um ninho seguro, era um esteio. Outra coisa que perdemos foram as relações mais estáveis no amor.


Alguns estudiosos chegam a afirmar que a deteriorização da sociedade é causada por essas mudanças de comportamento da mulher. A senhora concorda com isso?


Acho sim que a mulher teve bastante culpa pela perda do romantismo, por exemplo. No início do feminismo, as mulheres desdenhavam de atitudes românticas, e isso ficou para trás, infelizmente. Já a questão da família acredito que aconteceu por uma evolução da sociedade. A mulher começou a trabalhar e teve que sair de casa. Como ser humano isso é maravilhoso para a ela. Mas temos um preço a pagar. Sobretudo os filhos pagam por essa mudança, quando são colocados muito novos em creches e escola. As crianças enfrentam muito cedo a concorrência social, em uma época em que os filhos precisam principalmente da presença da mãe. Acho que essa violência infantil acontece porque as crianças são arrancadas muito cedo de casa. As relações hoje são muito superficiais, inclusive com as crianças.


Qual seria a solução para essa questão da família?


Algumas pessoas dizem que a solução para o Brasil está na educação, que precisamos de mais escolas, mas isso não é tudo. Primeiro precisamos lembrar que não é tanto o número de escolas que conta e, sim, a qualidade do ensino. Depois, lembrar que a educação começa na família, e isso está faltando.


Muitas mulheres sofrem por não poder se dedicar tanto a suas famílias sem sacrificar a carreira ou vice-versa. Como lidar com esse dilema?


É claro que isso não é para todas, mas algumas profissões permitem que a mulher se dedique mais em casa. Existem profissões mais conciliadoras. Se as mulheres puderem escolher, aconselho buscar esse tipo de trabalho.


E a participação masculina nas tarefas domésticas?


Acho que isso já está acontecendo. Muitos homens já dividem com a mulher as tarefas de casa e junto aos filhos. Estamos melhorando bastante nisso.


Como a senhora imagina que estaremos daqui a vinte anos?


Não vejo solução para nossos problemas se a mulher não assumir o papel de dar atenção para seus filhos. Acho que o que mais falta hoje em dia é o amor de mãe. Se ela não parar um pouco e continuar empurrando seus filhos para as creches e escolas estaremos com a vida humana menos valorizada e com pessoas cada vez mais desajustadas. Não digo que as mulheres precisam parar de trabalhar, mas precisam se aproximar mais dos filhos.


Outra crítica feita às mulheres de hoje é a busca incessante pela juventude e a beleza. Por que não conseguimos nos livrar disso?

Todos temos vaidades, queremos ser aceitos e acho isso bastante normal. O problema de hoje é a exposição do corpo de forma exagerada. Quando isso é feito em público, a mulher se autoprostitui, se oferece como objeto. Antigamente, a mulher só era admirada pela estética e acho que isso é o que restou daquele período. E a sociedade incentiva essa atitude porque as portas se abrem muito mais para as mulheres bonitas. Elas têm mais chance de ser aceitas, de conseguir um trabalho. Pode ser ruim, mas é assim que é.


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