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Especialistas e viajantes dão dicas de segurança para turismo na natureza

13 jan 2022 às 12:19
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A lista de bons motivos para procurar um ambiente com bastante natureza por alguns dias de folga é infinita. Porém, é também extensa a quantidade de cuidados necessários ao se aventurar no turismo de imersão em ambientes mais rústicos.

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"A natureza não é playground", alerta o agente de turismo Diego Lopes de Abreu, especialista em trilhas pelo Ceará. Acidentes como o desabamento de pedras em um cânion no lago de Furnas, em Capitólio (MG), sinaliza uma série de alertas necessários para que o sonho de uma conexão com a natureza não se torne uma trágica história.

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"Antes de mais nada, deve ser de responsabilidade dos governantes locais ou da entidade privada responsável [caso haja concessão], monitorar o risco para atividade turística constantemente, e não transferir toda a responsabilidade para os guias ou o turista em si", reforça a bióloga e paleontóloga Aline Marcele Ghilardi, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).


De toda forma, é essencial que o visitante conheça os meios para minimizar as possibilidades de um acidente, bem como para que não prejudique a dinâmica da fauna e da flora do local onde for passear.

Experiente em roteiros por trilhas e viagens mais desafiadoras, o professor cearense Fabrício Leomar Lima chegou a ser conhecido como "listinha" pelas listas que fazia antes de iniciar "uma trip" para não se esquecer de nada.

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Entre os itens essenciais que leva em qualquer empreitada estão um kit de primeiros socorros, medicamentos, uma lanterna, canivete, uma corda de cinco metros e fósforo ou isqueiro.


Além disso, com a experiência de quem se aventura desde 2004, o professor reforça ser preciso "pesquisar as condições climáticas e analisar dia a dia para ver se é mais seguro fazer alterações".


Temporada chuvosa A preocupação de Leomar está alinhada com as orientações do geólogo Tito Aureliano Neto, doutorando pesquisador na Unicamp. "Se o turista perceber um tempo chuvoso há muitos dias, deve-se evitar trilhar por rios, encostas, rochedos, e cachoeiras", orienta Neto, que também é paleontólogo.


O período chuvoso costuma ser o favorito para quem busca encontrar cachoeiras com um grande volume d'água, pois proporcionam um espetáculo natural. Mas é também a época de mais atenção para turistas e guias, pois as consequências das nuvens carregadas no céu podem impactar até mesmo quando a chuva não cai diretamente no local a ser visitado.


"Basta chover forte em alguma região acima ou à montante do rio para, inesperadamente, um grande volume de água atingir a cachoeira. Isso pode arrastar turistas e também trazer uma grande quantidade de detritos como troncos, galhos, rochas etc., que podem feri-los ao serem arremessados das quedas d'água", orienta a professora Aline.


Agente de viagens e morador há 12 anos da Chapada Diamantina (BA), famosa por suas exuberantes cachoeiras, Marcelo Cabral reforça as orientações dadas por Aline.


"Existem riscos que são inerentes a qualquer fator humano. Pelo próprio processo de erosão, qualquer pedra na Chapada Diamantina ou em qualquer chapada dessa pode vir a desabar sem aviso prévio. Por isso, seguir guias experientes e que conheçam bem a região é fundamental", reforça.


Com a experiência de cursos de sobrevivência na selva antes de se tornar guia pelas trilhas cearenses, Diego recomenda um trabalho em equipe.


"Além de guia, é importante ter um socorrista no grupo e uma pessoa no suporte, posicionando alguém mais a cima que pode entrar em contato via rádio para avisar alguma eventualidade."


Responsabilidade coletiva A conduta, porém, não é só do guia, ela precisa ser coletiva. E isso inclui consciência ambiental. "Quem é guia sempre precisa fazer um trabalho de conscientização para que as turmas não consumam bebidas alcoólicas, cigarro e entorpecentes. Até conversas paralelas muito altas podem prejudicar o andamento da trilha", comenta Cabral.


Optar por ouvir a música favorita enquanto aprecia a natureza pode, inclusive, prejudicar a contemplação. "Quando turistas buscam passeio na natureza, é de se esperar que queiram ver aves, peixes e outros animais selvagens. Mas acabam afastando tudo com todo o ruído, muitas vezes por falta de informação", relata o geólogo Tito.


Mesmo que você seja do tipo de viajante mais consciente e esteja em busca de uma conexão total com a terra e muito pé no chão, também não escapa da obrigação ficar atento aos equipamentos ideais antes de sair por aí desbravando solos desconhecidos. E isso inclui, principalmente, o que você está pisando.


"Tênis de corrida, por exemplo, costumam ter um solado mais liso, completamento oposto do que se recomenda para terrenos acidentados", alerta o guia cearense Diego. Um simples escorregão pode causar uma torção capaz de gerar um resgate até mesmo com maca improvisada.


Equipamento adequado: check! Caixinha de som desligada: check! Atenção às condições climáticas: check! Só falta a coragem para desbravar o desconhecido.


Mas, atenção: tão importante quanto bravura é a cautela. Ser o mais valente da turma nem sempre é vantagem quando se trata de turismo de aventura.


"Ao turista, se algo lhe parece arriscado, provavelmente é", comenta a pesquisadora Aline Ghilardi. "O medo adiciona prudência e a prudência também ajuda a evitar acidentes."

A conduta é reforçada pela experiência do professor Leomar. "Você não precisa fazer algo só porque outra pessoa fez e o desafiou."


Portanto, antes de pisar qualquer área ambiental e assim conseguir uma experiência com o máximo de segurança possível, vale lembrar do lema do viajante: respeitar os espaços da natureza que está adentrando e respeitar os próprios limites.


Pontos de atenção


Neve:


Atente constantemente à previsão meteorológica. Nevascas podem pegar um turista de surpresa e simplesmente ilhá-lo. Evite o período de degelo. Leve segunda pele e roupa apropriada, como casacos quentes e barra-ventos, e use botas impermeáveis. Armadilhas naturais, como buracos, fendas ou mesmo abismos, podem ficar escondidos debaixo da neve. Use apoios ou mesmo galhos para sondar o local onde pretende pisar


Montanhas:


Em alguns contextos específicos, deve-se atentar ainda à atividade de vulcanismo nas montanhas, bem como o histórico de terremotos e avalanches na região. Preste atenção em áreas com risco de deslizamento ou desabamento. Evite caminhar em regiões montanhosas e íngremes quando está chovendo.


Mar:


Fique atento a avisos de mar perigoso, correntes de retorno, rochas no fundo, etc., pois nem toda praia que é bela é apropriada para o banho. Também deve-se prestar atenção a avisos de predadores marinhos no local.


Cachoeiras


Se o turista perceber um tempo chuvoso há muitos dias, deve-se evitar trilhar por rios, encostas, rochedos, e cachoeiras. Procurar saber também se já aconteceu tromba d'água naquele local.


Há o risco de detritos, como troncos, galhos, etc., serem arrastados naturalmente pela correnteza do rio e arremessados nas quedas d'água.


Trilhas ou passeios realizados em ou próximos de escarpas, paredões de rocha ou similares merecem atenção constante. Dicas por Tito Aureliano Neto e Aline Marcele Ghilardi, paleontólogos

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