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Contra o tabagismo

Maioria dos brasileiros é favorável a maior tributação do cigarro

Folhapress
27 ago 2021 às 08:12
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A população brasileira se colocou favorável a medidas contra o tabagismo. Uma pesquisa  do Instituto Datafolha aponta que 68% das pessoas são favoráveis ao aumento dos tributos de produtos de tabaco como forma de incentivar o fumante a parar de fumar. Grande parte dos brasileiros (71,5%) também defende que as empresas fabricantes e cigarro devam ressarcir o SUS pelos custos das doenças relacionadas ao tabagismo.


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Os dados foram divulgados na última quinta-feira (26), durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o impacto do uso do cigarro na saúde e as medidas necessárias para prevenir o tabagismo.

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Foram entrevistadas 1.985 pessoas de 18 anos ou mais, sendo a maioria economicamente ativa, entre os dias 10 e 20 de julho de 2021, de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


Para 54% delas, o cigarro mais caro ajuda o tabagista a parar de fumar e evita que os jovens comecem a experimentar cigarros. A aprovação às medidas de controle do tabagismo é maior entre os mais escolarizados, moradores das regiões metropolitanas e integrantes das classes A/B.

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"É bem importante esse apoio da população sobre uma maior tributação de produtos nocivos à saúde. O tabaco que causa muitos danos, não pode estar na mesma categoria do arroz e do feijão, por exemplo", diz Mônica Andreis, diretora-executiva da ACT Promoção da Saúde.


Segundo ela, desde 2016 não há ajuste no preço dos cigarros e, especialmente durante a pandemia, estudos mostram que houve aumento do consumo do tabaco, depois de um período de estagnação e queda.


"A política tributária é considerada muito efetiva não só no Brasil como no mundo todo. Se você tem um produto com um preço muito baixo, acaba facilitando o consumo e a iniciação do jovem." O preço mínimo do maço de cigarro é de R$ 5. Nos EUA, é de cerca de US$ 10.


A proposta defendida pela ACT de outras organizações é que esse eventual aumento de tributos seja revertido para saúde pública, especialmente para os programas de controle e prevenção e tratamento do tabagismo.


A pesquisa Datafolha também ouviu os entrevistados sobre os cigarros eletrônicos. Embora 72% já tenham ouvido falar sobre esses dispositivos, poucos são os que fazem uso diário: 0,22%; 2,8% usam às vezes e 6% já usaram, mas não o fazem mais.


A grande maioria dos entrevistados (84%) acreditam que os dispositivos eletrônicos são uma invenção da indústria de tabaco para conquistar novos clientes e 78,3% acreditam que fazem com que as pessoas mudem de produto, mas continuem fumantes.


Para 67,7% dos entrevistados, esses dispositivos não devem ser liberados, pois entendem que o país não precisa ter novos produtos de tabaco no mercado.


Um quinto (21%) também defende que os cigarros eletrônicos não sejam liberados até que se prove seu impacto na saúde e na iniciação por jovens. Já 11,5% consideram que a comercialização deva ser liberada no país.


Há consenso na área de saúde de que a liberação no mercado brasileiro colocaria em risco o bem-sucedido programa de controle do tabagismo, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, e que conseguiu reduzir o número de fumantes no país, de 15,6%, em 2006, para 9,3%, em 2018, segundo o Ministério da Saúde.


Há uma regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que proíbe a comercialização e propaganda desses produtos. Os fabricantes, por sua vez, pressionam a Anvisa para a liberação, alegam que eles teriam risco reduzido por não haver combustão e serem destinado apenas a adultos fumantes que não querem ou não conseguem parar de fumar.


No entanto, pesquisas independentes mostram que esses produtos contêm substâncias altamente tóxicas e foram responsáveis pelo aumento no consumo entre jovens nos países em que eles podem ser comercializados.


Segundo Mônica Andreis, a maior parte desses dispositivos contém nicotina, o princípio ativo responsável pela dependência química do fumante, e estudos têm mostrado que não ajudam na cessação, muitos fumantes continuam fumando e também fazendo uso dos vaporizadores.

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